quarta-feira, 25 de junho de 2014

POVO SEM MEMÓRIA



Segundo o autor de “A BAGACEIRA”, José Américo de Almeida, “ninguém se perde na volta”. Sinceramente, não foi o meu caso, na volta eu me perdi! O caso se deu no ultimo de maio, quando fui à festa de encerramento do mês Mariano, na minha terra, a ninfa do nobre e sofrido Sabugy, São Mamede. Alguém por maldade sujou-lhe o rosto, feriu-lhe a graça, atirou-lhe a ultima fecha, talvez por piedade ou pena, e lhe acertou em cheio o peito. O absoluto do bárbaro chegou ao ápice, é o fim!  
   
Fiquei desapontado e cheguei à conclusão de que o bárbaro merece respeito, mas não poder. Vi a História dos nossos ancestrais desrespeitada e o nosso orgulho exposto no lixo, sem pelo menos nos dar o direito de chorarmos o nosso infortúnio. Já diziam os antigos, em terra de ninguém qualquer “um” é rei. Então, quando um povo renuncia cuidar do seu próprio destino é por que deseja tornar-se escravo. E assim, seja!

O prédio da prefeitura municipal de São Mamede, construído entre os anos de 1954 e 1955 do século passado, perdeu o seu encanto, a sua beleza arquitetônica fora prostituída, puseram abaixo a sua originalidade, "profanaram o templo!". Seus antigos janelões de madeira de lei foram substituídos por janelas de vidro – disseram-me “modernas”. As alegações foram, por assim dizer, as mais diversas: queríamos dar ao prédio (leia-se o ego) um aspecto bonito, de modernidade, disse-me uma autoridade, que era bárbaro. Em seguida questionei: o mundo moderno tem-se preocupa muito com a preservação da historia, por que aqui acontece o contrario? Recebi uma resposta que não me convenceu e ficou por isso mesmo...

Diante de tamanha insânia, suponho que tenham consultado o povo para provocarem essa desastrosa agressão ao patrimônio artístico e cultural da cidade ou pelo menos o plano diretor ou será que agiram com o peculiar instinto técnico administrativo? As hipóteses possíveis que deram ao gestor o lastro para tomar a decisão abrupta e rancorosa de assassinar a memória dos nossos ancestrais habitam sempre de forma negativa a seara dos nativos e congestionam a boa vontade dos mais otimistas. E foi por isso que eu me perdi na volta.    
  


sábado, 14 de junho de 2014

O MURO DE BERLIM/SÃO MAMEDE/APARTHAEID

Será que o Muro da vergonha caiu mesmo? Será que o Apartheid de fato chegou ao fim? Ou será que tudo não passa de uma farsa para legitimar ainda mais o poder das elites? Talvez o Muro físico tenha vindo abaixo, mas o invisível não! O Muro que realmente separa que humilha que destroça família e tolhe-lhe o direito, continua de pé firme e forte, silencioso, disfarçado, dissimulado, com mil faces, trejeitos imagináveis e firulas indiscretas, ás vezes, em rua da pequena ou da grande cidade, dos vilarejos ás corruptelas perdidas lá pelos cafundós; e lá estar “ele” ridículo e feio, degradando homens, mulheres e crianças, matando sonhos!    
Com o fim da 2ª guerra mundial as potencias vencedoras procuraram instalar uma nova ordem para gerir os destinos do planeta, mas os esforços esbarravam sempre nos ditos “interesses políticos” de: Estados Unidos, Inglaterra e França capitalistas, e a Rússia comunista.
Nesse tempo, falava-se muito num acordo político/econômico/social que pudesse agradar aos dois lados que tinham interesses diversos e disputavam os despojos da guerra, mas não se falava no interesse do povo derrotado que não inventou e não queria a guerra. Sem o tal acordo dividiram a Capital Alemã Berlim em 4 partes, chamadas de setores: os setores capitalistas juntos formaram a Alemanha ocidental prol ocidente e a capital Berlim Ocidental; o setor prol oriente sendo o único comunista ficou sob os domínios da Rússia, capital Berlim Oriental.
Desde o fim da 2ª guerra em 1945 até o inicio da construção do muro em 1961, Berlim Oriental tornou-se a porta de fuga da maioria da população dos países comunistas descontente com o regime, e para evitar fuga em massa o muro foi construído sob os auspícios e esforços da Rússia líder do comunismo mundial.
Em 1989 veio o colapso econômico e político da Rússia que levou de quebra todo Leste europeu, isso se deu por uma serie de erros históricos injustificáveis: a particularização da utopia, do sonho; a estatização da renda e dos bens materiais, a incompetência e a corrupção; deixando os países do bloco, inclusive Alemanha oriental, sem liderança. A mentira tem pernas curtas, o disfarce não resiste a verdade, a farsa falseia sempre, o mito sucumbiu e a história veio à tona. O povo descobriu as mazelas e o trágico fim da ultima quimera – o poder que nunca teve – e que agonizava em público lentamente; a população foi ás ruas algemar psicologicamente os derradeiros soldados da “fronteira” que tentavam resistir a onda que ia devastar impiedosamente a opressão, chamada de liberdade, não por convicção ideológica, mas por força do soldo que paga a violência e mantém a paz.
O povo derrubou o Muro! O Muro caiu! Imagine que sensação fluíra das pessoas quando redescobriram o outro lado do Muro. A redescoberta traz o novo que era velho, com mais emoção, com mais prazer, de forma que o velho nunca existiu porque é sempre novo; isto vale também para o povo que quando quer se renova.
Assim, foi à África do Sul, dominada por colonizadores de origem inglesa e holandesa (os de sempre), após a Guerra dos Bôeres em 1902, início do século XX, cuidara definir a política de Segregação Racial – uma insanidade brutal contra a humanidade – formula desumana de manter dominado o povo nativo. Esse maldito sistema tornou-se conhecido em todo mundo como Apartheid – decretado pelo Ato de Terras Nativas e as Leis do Passe.
Esse Ato obrigou o negro a viver em reservas ditas especiais, criando profunda desigualdade na divisão de terras do País. Forçando 23 milhões de pessoas negras a ocuparem apenas 13% de todo território nacional, enquanto 4,5 milhões de brancos eram donos dos restantes 87% das terras. A lei dos “brancos” também proibia que os negros comprassem terras fora da área reservada a eles, criando dessa forma uma imensa dificuldade á ascensão não só econômica, mas social e política e ao mesmo tempo uma garantia de mão de obra de forma barata para os latifundiários.
Nas cidades aos negros era permitido viverem nos quetos – área isolada da dos brancos – a executarem trabalhos estritamente essenciais, afora isto, as Leis do Passe os obrigavam a apresentar o passaporte para poderem se locomover dentro de sua Pátria/mãe para procurar um emprego. A partir de 1948, a situação que já era ruim ficou pior com a ascensão dos Afrikaaners (brancos de origem holandesa) ao poder por via do Partido Nacional, que assumiram o controle hegemônico da política do país, consolidando em definitivo a segregação racial com o inventário de toda criança recém-nascida.
A Lei de Repressão ao Comunismo veio acompanhada da formação dos Bantustões (territórios reservados à população negra na África do Sul de acordo com sua etnia pelo governo racista em 1951), essa foi a fórmula encontrada pelo governo para dividir e confinar em comunidades independentes os negros e a maneira de estimular a divisão tribal, fragilizando a possibilidade de guerra contra o domínio da elite branca. Mas nada disso pode efetivamente impedir que as populações mesmo segregadas se organizassem e promovessem grandes mobilizações para reclamar e chamar a atenção do mundo que se negava a ver a injustiça cometida por um governo que africanamente pensando era imoral e humanamente “ilegítima”, contra uma gente impotente.
As mobilizações serviram para unir e conscientizar o povo segregado Sul Africano sobre a necessidade de uma urgente tomada de posição a favor da liberdade. De modo que em 1960 cerca de 10.000 negros queimaram seus passaportes no gueto de Sharpeville, porém foram violentamente reprimidos. As greves se tornaram frequentes por todo País, as manifestações se espalharam, o exército ocupou as ruas e houve inúmeros confrontos. Com o aumento da violência e a truculência do governo, não demorou muito para que os fatos extremos surgissem no horizonte sóbrio, era preciso morrer muitos nas mãos de poucos, para se alcançar o bem. (Bonaparte). Acusado de atrocidade o governo racista ensaia uma má sucedida ruptura com a Comunidade Britânica; funda-se a Lança da Nação, braço armado do CNA; acontece à prisão de Mandela (Mandiba) em 1963, condenado a prisão perpetua acusado de terrorista.    
Na década de 70, agrava-se a situação. A radicalização aumenta em escala exponencial, a guerrilha tenta minar as estruturas oficiais com atos de sabotagem, esse método também foi utilizado por parte do governo para culpar os militantes do CNA, além-claro, de uma intensa repressão contra o povo. Veio, portanto, a década de 80, o apoio interno e externo foi decisivo á luta contra o Apartheid e se intensificou, quando figuras como Winnie Mandela e bispo Desmond Tutu se engajaram na luta.
Como sempre e de costume, a ONU, apesar de condenar o regime sul-africano, não interveio, nada fez para diminuir a dor e o sofrimento daquela gente; nesse sentido, apenas o boicote realizado por grandes empresas nacionais e internacionais as praticas criminosas do governo, forçou uma mudança de atitude, isso se deveu a propaganda contrária que o comércio com a África do Sul representava. A partir de 1989, após a ascensão de Frederick de Klerk ao poder, a famigerada elite branca dar início as negociações para pôr fim ao conflito civil, que determinariam a legalização do CNA e de todos os grupos contrários ao apartheid e a libertação da maior figura do século XX, Nelson Mandela (mandiba)  
       
      



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

FREI MARTINHO, O ARQUITETO


O legado de Frei Martinho
04 de september de 2008
[Texto de Hilton Gouveia] JORNAL A UNIÃO

Anatália Martins Vieira, 62, presidente das Obras Sociais da Ordem Franciscana Secular de Itaporanga, no Vale do Piancó, a 398 Km da Capital, é responsável pela guarda de uma relíquia muito preciosa para a comunidade católica da Paraíba: trata-se da camiseta de celebração de Frei Martinho Jansweid, um frade alemão que chegou à Paraíba em 1911, cuja vida, realmente incontestável em grau de heroísmo, contribuiu para se criar uma aura de santo, em torno de sua personalidade apostólica.
Para tornar isto público a Direção do Convento do Rosário, em João Pessoa, registra a biografia do religioso no livro "Frei Martinho - Uma Herança Viva da Fé Cristã", na comemoração dos 75 anos de sua morte e relata algo mais sobre este homem com índole de profeta, responsável pela construção de cinco grandes igrejas na Paraíba e mais 17 fraternidades franciscanas na Paraíba e no Ceará.
"Eu guardo esta camiseta por simples devoção. Até hoje eu não sabia que ela tinha tanto significado histórico, cultural e religioso", diz Anatália. A peça do vestuário ritual de Frei Martinho é uma camiseta de gola redonda e manga curta, normalmente usada por baixo da batina, nas celebrações. Anatália talvez seja a única pessoa a residir na Paraíba que possua uma relíquia de uso pessoal de Frei Martinho. Às 14h do dia sete de setembro deste ano, pela primeira vez, a peça, que tem aproximadamente 80 anos, foi exibida para a imprensa.
Anatália evita o contato de mãos ou do ar com a camiseta, por temer danos ao tecido. A relíquia está no seio de sua família desde a morte de Frei Martinho, no dia 28 de julho de 1930. Neste dia, o cadáver de um importante estadista brasileiro também chegava a Capital: era o do então governador João Pessoa, assassinado dois dias antes, em Recife, pelo advogado João Dantas.
No necrológio do missionário, cuja autoria é atribuída a Frei Stanislau Cleven, existem passagens interessantes sobre a vida missionária de Frei Martinho. Conta-se que certa vez ele chegou a uma fazenda sertaneja e pediu um cavalo emprestado, para continuar sua viagem. O dono do animal não atendeu ao pedido e despediu o frade de forma grosseira. Frei Martinho profetizou que ninguém mais montaria aquele cavalo. Na tarde do mesmo dia o cavalo morreu.
Antônio Silvino, o famoso cangaceiro, ousou invadir um povoado onde Frei Martinho costumava parar, para cumprir suas missões. Horas antes, o frade o havia aconselhado a não molestar o povoado. Silvino, cujo nome verdadeiro era Manoel Batista de Morais, não levou em conta a advertência. Acabou preso por uma volante policial e cumpriu 15 anos de cadeia no Recife.
Certa vez Frei Martinho cumpria uma viagem de crismas. Um rapaz disse, em tom de galhofa, que iria mandar um burro para ser crismado. O homem caiu morto na mesma hora.
Em 24 de setembro de 1917, ao passar, mais uma vez por Misericórdia (atual Itaporanga), Frei Martinho concedeu o hábito de São Francisco de Canindé à Carolina Diniz. Ela era irmã de padre Joaquim Diniz. Hoje, esses personagens estão bem próximos de nós, através de um descendente ilustre, D. Antônio Fernando Diniz, ex-bispo de Guarabira.
Nascido em Colônia (Alemanha) no dia 5 de dezembro de 1876, Frei Martinho ingressou na Ordem dos Frades Franciscanos Menores em 13 de maio de 1894. Sua disposição e entusiasmo para a catequese contribuiu para que os superiores o transferissem para o Norte do Brasil, com apenas dois meses de noviciado. Estudou Filosofia e Teologia no Convento de Salvador (Bahia). Alcançou a ordenação sacerdotal em 22 de dezembro de 1900, através do Arcebispo Primaz D. Jerônimo Tomé da Silva.
Transferido para a Paraíba, em 1911, dedicou-se ao Colégio Seráfico Santo Antônio, rebatizado como escola Apostólica, que funcionava num anexo da Igreja de São Pedro Gonçalves, em João Pessoa. São incontáveis o número de retiros e missões pregados no interior, por este frade incansável, que percorria os longínquos rincões da Paraíba e do Ceará montado a cavalo ou mesmo andando a pé.
Somente na Diocese de Cajazeiras, Frei Martinho fundou as fraternidades de Souza, Pombal, Cajazeiras, Itaporanga, São João do Rio do Peixe, Malta e Catolé do Rocha. As fraternidades de Malta e Pombal não existem mais. Em outubro de 1917 plantou uma semente missionária em Piancó. Mas não voltou lá, por causa da rivalidade entre os padres Aristides e Manoel Otaviano. Martinho não quis tomar partido. Aristides, que vivia abertamente com a mulher e os filhos em Piancó, acabou morto pela Coluna Prestes, em 1926.
Em Itaporanga, Martinho, que tinha aversão a publicidades e rixas, também respeitou o ponto de vista do pároco local, que não permitiu colocar, em altar especial, uma imagem de São Francisco, antes da imagem de Jesus. Martinho elaborou a planta e dirigiu a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Mas deixou a obra na altura dos altares. Ao sentir-se doente e prenunciar a própria morte, retirou-se para João Pessoa.
Frei Martinho é autor da construção de cinco grandes igrejas na Paraíba, no período de 1911 a 1930:
Ü Nossa Senhora do Rosário, em Jaguaribe, João Pessoa.
Ü Nossa Senhora da Conceição – São Mamede
Ü Nossa Senhora da Conceição – Itaporanga
Ü Nossa Senhora da Conceição – Taperoá
Ü Nossa Senhora da Conceição – Barra de Santa Rosa.
Sua reconhecida obra de heroico missionário também lhe rendeu homenagem especial no Curimataú Paraibano, onde existe um município com o seu nome. Durante a Páscoa de 1930, Frei Martinho foi acometido de forte gripe. Pressentindo que a morte estava próxima resolveu retirar-se para João Pessoa. Chegou muito febril em Soledade, onde o esperava o Provincial Frei Amadeu, que o transportou para a Capital.
Em 26 de julho de 1930, o arcebispo D. Adauto de Miranda Henriques concedeu-lhe a bênção e dele se despediu. Frei Martinho pediu a extrema-unção e o Santo Viático. Perdeu os sentidos no dia seguinte. Faleceu no dia 28. Seu corpo se encontra na Cripta da Igreja do Rosário, em Jaguaribe, onde é visitado por centenas de fiéis, todos os anos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

VENCIDOS E VENCEDOR


Só quero um beijo,
Desse que causa arrepio até na alma,
Que tira o fôlego, que sufoca, rouba à calma,
E faz a gente ser feliz por um instante;

Somente um beijo,
Desse fogoso que endoida o coração,
Desassossega e diz ao peito que é paixão
Deixa saudade e torna a vida excitante;

Durante o beijo
Um toque a mais, um amasso apertado,
Coração em pânico, sentimento alado,
Voando baixo em meio as emoções;

E depois do beijo
Uma calma leve ronda o nosso pós-amor,
Somos dois vencidos ante um vencedor,
Que vive preso em nossos corações.



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

DOCUMENTO HISTÓRICO - DIPLOMA DE VEREADOR - 1935

Luiz Xavier de Andrade, fora eleito vereador pelo Partido Progressista (PP), no município de Santa Luzia-PB, em 9 de setembro de 1935, como representante do distrito de São Mamede. O  DIPLOMA (a parte acima é a capa e a de baixo o corpo) expedido em "papel pautado", como ai estar, era em toda extensão do papel. No cabeçalho aparece escrito em caixa alta à máquina datilográfica os dizeres: - JUNTA APURADORA DO 4º CIRCULO ELEITORAL DO MUNICÍPIO DE PATOS - ESTADA DA PARAHIBA -. Em seguida um traço e logo abaixo deste a palavra visto e sob ela uma assinatura. Percebe-se que o papel dobra-se ao meio e logo entre dois traços a palavra DIPLOMA com os seguintes dizeres: EXPEDIDO AO VEREADOR DO MUNICÍPIO DE "SANTA LUZIA DO SABUGY" LUIZ XAVIER DE ANDRADE, ELEITO EM 9 DE SETEMBRO DE 1935. após isto, um visto e na mesma linha uma assinatura. 
Nesta parte, ou seja, no corpo do DIPLOMA, que aparece logo abaixo estão as informações do resultado do pleito e os nomes dos outros vereadores eleitos no mesmo turno pelo PARTIDO PROGRESSISTA, e no segundo turno também pelo PARTIDO PROGRESSISTA, o nome de Severino Bonifácio da Nóbrega. 


Eis a íntegra do corpo do DIPLOMA:

               A JUNTA APURADORA DO 4º CIRCULO ELEITORAL DA CIDADE DE PATOS, DO ESTADO DA PARAHIBA, tomando conhecimento do resultado final da apuração das eleições para VEREADOR, no município de Santa Luzia do Sabugy, precedidas a nove de setembro do corrente anno, nas trêz (3) secções em que o mesmo se acha dividido, aprovou em seis do corrente mez a respectiva acta, da qual se verifica ter o mesmo numero de eleitores  que compareceram de quinhentos e vinte e trêz (523), sendo votos validos  quatrocentos e oitenta e cinco (485), o quociente  eleitoral de setenta e quatro (74) e o quociente partidário de seis (6) para a legenda o PARTIDO PROGRESSISTA. Verifica-se ainda  terem sido eleitos por quatrocentos e oitenta e cinco votos pelo PARTIDO PROGRESSISTA, em primeiro turno, e proclamados VEREADORES - Anizio Marinho da Silva, Euclides Nóbrega, LUIZ XAVIER DE ANDRADE, Pedro Daniel dos Santos, Manuel Augusto de Araújo Filho e Jonathas Ferreira Tavares, e em segundo turno pelo mesmo PARTIDO PROGRESSISTA Severino Bonifácio Nóbrega. Não houve suplentes.
                    E, para servir de DIPLOMA aos eleitos inclusive ao nome LUIZ XAVIER DE ANDRADE, NA FORMA prescripta no Art 156 do Cod. Eleitoral extrahiu-se da aludida acta o presente resumo que vai assinado pelo Presidente da Junta.
                      JUNTA APURADORA DO 4º CIRCULO ELEITORAL DA CIDADE DE PATOS DO ESTADO DA PARAHIBA, EM 6 DE DEZEMBRO DE 1935.

                                                                                Uma Assinatura
                                                                              - PRESIDENTE -


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

OS ALGAROBEIROS - LEMBRAM-SE DELES?

             Esta  foto era do início da rua Janúcio Nóbrega
em São Mamede- PB, assim como a que está abaixo,
credito de Mário Bento de Morais.

Algarobeiros, Algarobeiros
Predestinados sombreiros
Dos transeuntes trigueiros
Que vagueiam meu sertão,
Num  caminhar de formigas,
E sob as sombras amigas
Descansam suas fadigas
Num ato de comunhão.

E quando a tarde desmaia
O véu da noite se espraia
E os pardais e gandaia
Comemoram envaidecidos
Depois vem a madrugada
E o canto da passarada
Desvirgina alvorada
Nos teus galhos escondidos.

Algarobeiros as alegrias
Que tu deveras sentias
Quando a mão de Malaquias
Com carinho te aguou
E agora em fase adulta
Outra mão mais que astuta
De forma cruel e bruta 
Tua morte Decretou!

Os nossos conterrâneos precisam deleitar-se com esta foto de Edésia Junior, iluminadamente uma obra de arte! A qual parece mais uma dádiva dos céus em forma de presente para embelezar ainda mais a terra. A visão do fotógrafo é algo que não se explica. Ele enxerga por um viés que nós seres comuns e mortais não enxergamos, são lances que nos causam impactos pela beleza sutil que nos oferece. 
                  Igreja de N.S. da Conceição - São Mamede    
                                 Foto de Edézio Junior 
A sensação que temos quando observamos esta foto é que não temos palavras para traduzir tamanho significado. A expressão é muito forte, é uma torrente de beleza que deságua bem em nossa frente causando uma grande emoção - é a Igreja de Nossa Senhora da Conceição em São Mamede - não há quem não exclame: é linda!
Aqui eu não quero falar do fotógrafo, mas da arte, ou  da realização de Deus, quando o homem busca imitar a natureza. Vou apenas agradecer e contemplar porque sou muito pequeno, mas sempre tento olhar pro alto. Parabéns Edézio Junior, que outras lindas fotos possam chegar até nós com o mesmo significado e expressão.



sábado, 8 de dezembro de 2012

Os bombons coloridos - A história de Luiz Xavier de Andrade


Os bombons coloridos - A história de Luiz Xavier de Andrade

Aquela casa grande, de portas grandes, de balcão grande e verde onde escondia meus bombons coloridos. Sim, bombons coloridos de feliz memória que recorda aquela infância também feliz.


Feliz também porque Seu Luíz era feliz. Homem trabalhador, chegou ao sertão paraibano como empregado, vindo das terras pernambucanas. Tornou-se grande comerciante. Querido por todos da cidade, tanto que muitos o chamavam de compadre, sabia angariar amizade com sua simplicidade e seu modo de tratar as pessoas.

Visitado por muita gente, sabia receber com mesa farta, mesa do sertão. Não tinha inimigos porque sabia perdoar, também não sabia fazê-los. Homem dedicado aos filhos, não media esforços para dar-lhes estudo. Um brejeiro que depressa se adaptou ao clima do sertão. Rigoroso, principalmente com as filhas. Os anos 30 contribuíram com a rigidez: namorado não alisava banco na casa dele e quando ocorria de algum rapaz chegar à sua porta,perguntava:

- O que está acontecendo aí?
- Morreu galego?

Casamento não demorava mais de seis meses.

- Quem procura namoro é porque pode casar, dizia ele.

Era o dono daquele mundo maravilhoso onde se encontram pedaços de minhas reminiscências. Com que saudade evoco aquela fachada enorme, parada, fitando aquele templo sagrado, a igreja da cidade.

"Novo Horizonte" não era o por do sol, não era uma planície vulgar, sem história, sem beleza. "Novo Horizonte"não era uma criação qualquer.Não era um círculo limitado da nossa observação, nem uma perspectiva futura.

"Novo Horizonte" era um dos pontos mais movimentados da minha São Mamede. O Super-Mercado de ontem aperfeiçoado como os de hoje...

Assim era o "Novo Horizonte." Lá você encontrava do biscoito fino à ferragem. Se algo faltava em sua casa, corria-se ao "Novo Horizonte". Não era só os da localidade que procuravam aquele centro de abastecimento. O espetáculo alegre, vivo, colorido dos matutos à porta da loja nos dias de feira é algo que não se pode esquecer.


Era a mesinha para isto, o tempero para aquilo, era o vestido para Chica, a bolacha da filha, era o pó-de-arroz para Maria, tudo ali se encontrava.

O colorido com que se revestia aquele pátio enorme que adormecido ficava durante a semana para acordar nos dias de feira com o relinchar das alimárias.

Os animais eram amarrados nos grandes pés de árvores que faziam sombras como se fossem enormes lençóis estendidos na terra quente do sertão. Terra de homens que conhecem os horrores da seca.

O tempo corre, passa e hoje não existe mais o "Novo Horizonte", não existe Seu Luís. O tempo devora tudo.Existe, sim! Nas memórias dos que o conheceram. Lembro-me dos bombons coloridos, os chamados "Rasga-Boca. Lembro-me dos grandes vidros de bombons coloridos.


José Carlos Xavier de Almeida, autor do texto "Os bombons coloridos", é neto do Sr. Luiz Xavier de Andrade, proprietário do  "Novo Horizonte", um dos primeiros pontos comerciais de São Mamede.Licenciado em Letras pela UNICAP, em Pedagogia pela FUNESO;Pós-Graduado em Língua Portuguesa pela UFPE; Membro da Academia Recifense de Letras; Membro da Academia Olindense de Letras; Membro da Academia Goianense de Letras (Anápolis-GO); Sócio efetivo da União Brasileira de Escritores (Secção-PE).Trabalhos Publicados- O povo não fala errado (Diário da Borborema,Campina Grande - PB),A Poética de Antonio Telha (Diário da Manhã, Recife - PE), entre outros.