O PODER DE QUEM MANDA
O1
Eia, sus! Palmas
aos donos do mundo,
Poderosos que
precisam de ajuda
De gente grossa,
arrogante, marruda
Que se disponha a
odiar a fundo
Exibindo um
sentimento profundo
De desprezo à
escória comunista,
Imigrante,
apátrida, idealista,
Estratos eleitos
como culpados,
Que devem com zelo
ser extirpados
Para pôr fim à ideia progressista.
Mário Bento de Morais
02
O SONHO ALÉM DA FORÇA
Não ter poder
sobre os nossos sonhos,
Provoca urticárias
ao ditador
Tira-lhe o sono,
causa-lhe horror
E múltiplos
pesadelos medonhos,
Noites em claro,
dias enfadonhos.
Maldade exposta,
sentimentos espúrios,
Medo da morte dos
desejos augúrios,
Abeira-se o fim,
chega o desespero,
Odeia o mundo no
seu destempero
De paranoia com falsos murmúrios.
Mário Bento de Morais
O3
POR TRÁS DO SORRISO.
Acreditar no que
não é verdadeiro
É uma das chances
de ser enganado,
A outra chance é
portar-se alienado
E recusar-se
acreditar por inteiro
Na verdade, sem
tornar-se escudeiro,
Dos farsantes nos
seus trajes de grifes
Desfilando nas
pistas de patifes
Torturando o
sorriso pra sorrir
Aos imortais que
farão proferir
Acordos pela falta
de cacifes.
Mário Bento de
Morais
04
A DIGNIDADE DO TOLO
Tenho imunidade
para mentir,
Desviar, enganar,
ser respeitado,
Para isto fui
eleito, o mais votado!
Pelos tolos que
gostam de curtir
Internet, Fake News,
interagir
O lema sobre:
Deus, pátria e família
Rachadinha,
ladroagem, quezília
De estupido orando
a impunidade
Afrontando do povo
a dignidade
Com prática onerosa de vigília.
Mário Bento de Morais.
05
O ASSIM VIVEM OS HOMENS.
Os que incomodam
vivem de esperança;
Os que mentem
procuram o poder,
Cavouco dos que
vão para se esconder
Do desejo visceral
da mudança.
Os que sonham
vigiam a lembrança,
Os que enganam
distorcem a verdade
Porque lhes faltam
sensibilidade
De viver a
igualdade com respeito,
Justificando a
justiça, o direito
À vida conforme a realidade.
Mário Bento de
Morais
06
A DECADÊNCIA DOS VALORES.
A cobiça destrói
os valores éticos,
Os silencia com
graves ameaças
Sob as leis de
diferentes mordaças
Dispensando os
recursos dialéticos.
Para adotar outros
padrões estéticos
Em mensagem sutil,
subliminar,
Método que tende
determinar
A petulância do
avaro exibido,
Insolente,
presunçoso, atrevido
Que vive disposto a endrominar.
Mário Bento de Morais
07
MASCARA DE VIDRO.
O poder usurpa,
sujeita a mente
À doutrina de
servil adestrado,
Omisso, excluído,
colonizado,
Que se torna um
inútil dependente,
Medíocre, às
vezes, inconsequente,
Excêntrico
frustrado, delirante,
Que a humana
miséria rastejante,
Curva-se aos
propósitos do tirano,
Celerado eufórico,
vã, mundano,
Que se jacta d'uma
vida ultrajante.
Mário Bento de Morais
08
OS DONOS DO MUNDO.
O mundo servo
celebra a loucura
Dos agressores que
calam as vítimas,
Que sofrem
investidas ilegítimas
D'uma gente
maldosamente obscura,
Que se vale da
falta de estrutura
Cognitiva de baixa
tolerância
Ao estresse que
provoca dissonância
À mente e
descontrole hormonais
Desordens, crises
emocionais,
Urdida pela teia da arrogância.
Mário Bento de
Morais.
09
A FRAGILIDADE DO CARÁTER COLETIVO
Liberdade, honra -
eram promessas
Vagas, inúteis à
sobrevivência
No pós guerra,
suja de incoerência,
Praticada com as
falsas professas
Nos púlpitos com
ideias às avessas,
Com recortes frívolos
da verdade
Que passa ao largo
da realidade
Promovendo ao
engenho cognitivo
Insensatez de
cunho negativo,
Massificada com
leviandade.
Mário Bento de Morais.
10
OS ESQUECIDOS, MAS HERÓIS.
Por que a história
não lembra os escravos.
Nem registra seus
feitos nos anais?
Quase sempre os
tem como marginais
Sem lembrar as
exclusões, os agravos,
Nem mesmo com as
medalhas de bravos,
Conquistadas em
rudes solavancos,
_Mas que lhes
nega, a preços, gestos francos
Contra a cor, a
valentia, a coragem
Dos cativos mortos
sem homenagem
Para esconder o
medo dos "Eus" brancos.
Mário Bento de Morais
11
OS COMPLEXOS SE MOLDAM
Não basta o sol se
não houver sereno;
Não basta a chuva
se não houver sol;
Nem basta o jardim
sem o girassol
Nem o grande se
não houver pequeno.
Não basta amor se
não houver aceno;
Nem caminho se não
houver atalho;
Não há direito sem
um ato falho,
Nem justiça que
não seja venal;
Nem início se não
houver final
Nem recorte se não houver retalho.
Mário Bento de morais
12
ANTES QUE MORRAM AS FLORES
Se acaso as flores
pudessem votar
E elas quisessem
eleger um líder,
Certamente não
seria um outsider,
Mas quem viesse a
causa devotar
Esforços gentis, e
assim adotar
As pautas que
combatam o grileiro
Usurpador,
falsário costumeiro,
E que possa ser
forte candidato
Para assumir as rédeas
do mandato:
O sol, o beija flor, ou o jardineiro.
Mário Bento de Morais
13
UM NOVO CAMINHO
Sou o todo do nada
da consciência
Navegando na
indigência do vazio
Retido na
vanguarda do estio
A espera d'uma
nova experiência,
Que flua livre sem
intransigência
Pelo mar sublime
da liberdade
Onde as vagas
bravias da igualdade
Encontrem o
sossego das quimeras
Sem despertar a
existência das eras
Que partiram só sem deixar saudade.
Mário Bento de Morais
14
A NOSSA REALIDADE
Ache-se dentro
d'um lindo jardim
Florido; lírios,
rosas, margaridas,
Verbenas
brasileiras coloridas,
Ao lado d'um
majestoso jasmim.
Cuidava o
floricultor d'um alecrim
Murcho, que o
tortulho quase o venceu
Porém, com zelo
aos poucos renasceu,
Mas o fungo se
juntou a outras pragas
Causando ao jardim rigorosas chaga
De tristeza o floricultor morreu.
Mário Bento de morais
15
ANTÍTESES
Ideias vivas; às vidas mortas
Não terão farturas
abundantes.
As colheitas são
raras, minguantes,
Sob as nebulosas
linhas tortas,
Que fecham a
lucidez das portas
À Seara da mente
desértica,
Infecunda, sem
húmus, hermética,
Pela farsante
realidade,
Que exorta toda
sua vaidade
Na ilusão da vida sem estética.
Mário Bento de Morais
16
VIVÊNCIA DO CAPITAL
O mercado
financeiro
Covil de
especulação
Chamariz à
exploração,
Reduto de
trapaceiro,
Mau caráter
ratoneiro,
Gângster da Faria
Lama,
Burlão causador de
drama
Pelos logros
aferidos
Com astúcias
cometidos
Os quais que lhe dão má fama.
Mário Bento de
Morais