A segunda parte
dedicada a
família Paulo Neto, a família de “Seu Né Araújo” e a família do mestre artesão, João Evangelista de Morais (João Girome)
Mário Bento de Morais
O
iluminismo foi etiqueta poderosa do século XVIII (1701-1800), o Século das
Luzes, estro que despertou a razão adormecida no “berço “esplêndido” do famigerado
absolutismo, assinalado pelo poder nas mãos do monarca que não aceitava
submissão a órgãos legislativos, judiciais ou constitucionais. Esse
lampejo intelectual veio para reformular, recompor e renovar, com mudanças
estruturais a sociedade; um antídoto às truculências do Velho Regime, colocando
a “razão acima da fé e da religião’. De forma que o iluminismo teve como
coadjuvante intrínseco a “Revolução Industrial”, principiada na Inglaterra, que
veio dar novo formato à produção.
Em
04 de julho de 1776, ano bissexto, finda-se a submissão colonial das Treze
Colônias a Inglaterra. Assim eram conhecidas antes da Independência. Depois da
conquista, as antigas colônias passaram a ser estados soberanos que se uniram
em uma república federal. Esse triunfo colocou os Estado Unidos como a primeira
nação do continente americano a se tornar independente. Enquanto isso, na
américa do Sul, em terras Brasileiras, a efervescência era o “Ciclo do Ouro”.
No
século XIX (1801-1900), solidifica a “Revolução Industrial”; o Imperialismos
Europeu se faz coroado de esplendor; Itália, Alemanha transformam o mapa
Europeu ao unirem territórios fracionados em “Nações ricas e modernas”.
No
Brasil, movimentos relevantes, densos e complexos marcam seu povo, como: a
independência (1822); o fim da escravidão (1888); a Proclamação da República
(1889); revoluções liberais (1848); invenções da fotografia em 1826, a primeira
imagem 1839, invenção pratica – e do automóvel em 1885, primeiro carro pratico
– e ainda o divino nascimento de movimentos artísticos cultural, o Romantismo com
raízes na Europa – Alemanha, França e
Inglaterra, no fim do século XXIII, que só veio ganhar forças no início do
século XIX; já Impressionismo marcou o Século das Revoluções.
Na
Paraíba, o século XIX chegou com muita turbulência, isto ocorreu por causa da transição
do Brasil Colônia para o Império e, posteriormente, para a República, com forte
participação em revoltas liberais, crises econômicas e transmutações sociais. A
proclamação da República (1889), fez a Paraíba deixar a pecha de província para
status de Estado, efetivando o desenlace do Império, enquanto nos bastidores,
as elites urdiam instrumentos para o nascimento do aviltante coronelismo e construção
das depravadas oligarquias políticas.
O
Século das Revoluções, já marchava em busca do seu final, quando trouxe à luz homens
que se tornaram lendários com dotes sobre-humanos, os quais, a natureza
generosa os fez surgir em São Mamede, vindos das galáxias estelares, para que na
tenra idade do século XX, acordasse a aldeia de são Mamede. E em 05 de abril de
1903, Manoel Augusto de Araújo, “seu Né Araújo” e Manoel Faustino da Costa, realizaram
naquele chão sagrado a primeira feira e a primeira missa, culminando a ação
histórica com o batizado de Afonso Augusto de Araújo, o caçula da primeira
família de seu Né Araújo, senhor de Engenho na fazenda “Riacho do Tatu”.
Afonso
Augusto de Araújo, “seu Afonso” e Manoel Augusto de Araújo Filho, “seu Araújo”,
este último, primogênito do precursor, seguiram as pegadas do incansável
animoso, não como senhor de engenho, mas como homens da terra. “Seu Araújo”
ainda passou pela política, fora eleito vereador pelo Partido Progressista
(PP), no município de Santa Luzia, em 9 de setembro de 1935, como representante
do distrito de São Mamede. Afonso
Augusto de Araújo, também passou pela política, na primeira eleição municipal
realizada em São Mamede, fora eleito vice prefeito com 1.048 votos, fonte TRE-PB,
o que corresponde a 52,96%, dos votos validos. O prefeito eleito foi nesse
pleito, foi Inácio Bento de Morais, com 1.100 votos validos, nessa época, votava-se
no Prefeito e no vice-prefeito separadamente e por quatro anos estiveram à
frente dos destinos de São Mamede de (1955-1959). Depois destas passagens pela
arte da construção social, ambos não voltaram mais à política, mas se mantiveram
fieis à vida campesinato...
A
saga dos feitos extraordinários em São Mamede, descortinou o visionário por
excelência o Major Felipe Nery Cabral, senhor de Engenho na fazenda Santa Fé e
pai de uma lenda Júlio Nery Cabral e do fidalgo de mãos limpas, José Paulo Neto.
José Paulo, tornara-se amigo pessoal de João Goulart, que foi Ministro do
Trabalho em 1953 no governo de Getúlio Vargas. O Gaúcho de São Borja, Jango,
assim conhecido, consolidou o trabalhismo no Brasil e assumiu a liderança do
PTB após o suicídio de Vargas, sendo vice-presidente de JK e Jânio Quadros e
presidente do Brasil (1961-1964). Certa vez, José Paulo, apresentado ao
Presidente Getúlio Vargas na época por Jango, o presenteou com uma sela de
montaria feita pelo mestre artesão João Evangelista de Morais (Seu João Girome)
de São Mamede. Papai João, era assim que filhos e netos o chamavam, nasceu em
1893 e faleceu em 1986. Era de fato um gênio!
Outros
magníficos gens da raça humana, que não apenas sonhavam em alcançar a extrema
dignidade do caráter, mas com suor e lagrimas, tornavam esses sonhos realidades
imensuráveis, eis as instituições:
Cícero José de Maria, seu Cicero Ciriema, fazenda Riacho do Meio sede;
Francisco Pergentino de Araujo, “Chico Pergentino”, fazenda Mimoso “sede”; Áureo
Clemente Guedes, fazenda Papagaio “sede”; Misael Augusto de Oliveira Filho, fazenda
Lajedo Alto “sede” foi nomeado prefeito para instalar o município de São Mamede
1953-1954), quando da sua emancipação política; Nilson Oliveira de Araújo,
fazenda Saco de Serra Branca “sede” foi comerciante e prefeito; Manoel Mallet,
fazenda Olho D’agua dos Anísios; Crisaldo Emídio de Medeiros, fazenda Várzea
Alegre; Ezequiel Marcelino, fazenda Monte, “sede” João Elizeu de Medeiros, Joca
Elizeu, fazendo Gatos; Luiz Campina, fazenda Campo de Cruz; Ernesto de Lima,
fazenda Pernambuca; João Candido de Medeiros, fazenda Saco do Monte; José
Gambarra, fazenda Riacho dos Cavalos.
Fontes: Livros didáticos
antigos de histórias Gerais e do Brasil;
Livros de
Histórias da Paraíba;
Pesquisas na Internet
Informações de fatos antigos adquiridos pelo
contato
Com os antigos
moradores e cinquenta anos vividos em São Mamede;
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