sábado, 10 de outubro de 2026

PENSAMENTOS EM VERSOS


 O PODER DE QUEM MANDA

O1

Eia, sus! Palmas aos donos do mundo,

Poderosos que precisam de ajuda

De gente grossa, arrogante, marruda

Que se disponha a odiar a fundo

Exibindo um sentimento profundo

De desprezo à escória comunista,

Imigrante, apátrida, idealista,

Estratos eleitos como culpados,

Que devem com zelo ser extirpados

Para pôr fim à ideia progressista.

Mário Bento de Morais

02

O SONHO ALÉM DA FORÇA

Não ter poder sobre os nossos sonhos,

Provoca urticárias ao ditador

Tira-lhe o sono, causa-lhe horror

E múltiplos pesadelos medonhos,

Noites em claro, dias enfadonhos.

Maldade exposta, sentimentos espúrios,

Medo da morte dos desejos augúrios,

Abeira-se o fim, chega o desespero,

Odeia o mundo no seu destempero

De paranoia com falsos murmúrios.

Mário Bento de Morais

O3

POR TRÁS DO SORRISO.

Acreditar no que não é verdadeiro

É uma das chances de ser enganado,

A outra chance é portar-se alienado

E recusar-se acreditar por inteiro

Na verdade, sem tornar-se escudeiro,

Dos farsantes nos seus trajes de grifes

Desfilando nas pistas de patifes

Torturando o sorriso pra sorrir

Aos imortais que farão proferir

Acordos pela falta de cacifes.

 

Mário Bento de Morais

04

A DIGNIDADE DO TOLO

Tenho imunidade para mentir,

Desviar, enganar, ser respeitado,

Para isto fui eleito, o mais votado!

Pelos tolos que gostam de curtir

Internet, Fake News, interagir

O lema sobre: Deus, pátria e família

Rachadinha, ladroagem, quezília

De estupido orando a impunidade

Afrontando do povo a dignidade

Com prática onerosa de vigília.

Mário Bento de Morais.

05

O ASSIM VIVEM OS HOMENS.

Os que incomodam vivem de esperança;

Os que mentem procuram o poder,

Cavouco dos que vão para se esconder

Do desejo visceral da mudança.

Os que sonham vigiam a lembrança,

Os que enganam distorcem a verdade

Porque lhes faltam sensibilidade

De viver a igualdade com respeito,

Justificando a justiça, o direito

À vida conforme a realidade.

Mário Bento de Morais

06

A DECADÊNCIA DOS VALORES.

A cobiça destrói os valores éticos,

Os silencia com graves ameaças

Sob as leis de diferentes mordaças

Dispensando os recursos dialéticos.

Para adotar outros padrões estéticos

Em mensagem sutil, subliminar,

Método que tende determinar

A petulância do avaro exibido,

Insolente, presunçoso, atrevido

Que vive disposto a endrominar.

Mário Bento de Morais

07

MASCARA DE VIDRO.

O poder usurpa, sujeita a mente

À doutrina de servil adestrado,

Omisso, excluído, colonizado,

Que se torna um inútil dependente,

Medíocre, às vezes, inconsequente,

Excêntrico frustrado, delirante,

Que a humana miséria rastejante,

Curva-se aos propósitos do tirano,

Celerado eufórico, vã, mundano,

Que se jacta d'uma vida ultrajante.

 Mário Bento de Morais

08

OS DONOS DO MUNDO.

O mundo servo celebra a loucura

Dos agressores que calam as vítimas,

Que sofrem investidas ilegítimas

D'uma gente maldosamente obscura,

Que se vale da falta de estrutura

Cognitiva de baixa tolerância

Ao estresse que provoca dissonância

À mente e descontrole hormonais

Desordens, crises emocionais,

Urdida pela teia da arrogância.

Mário Bento de Morais.

09

A FRAGILIDADE DO CARÁTER COLETIVO

Liberdade, honra - eram promessas

Vagas, inúteis à sobrevivência

No pós guerra, suja de incoerência,

Praticada com as falsas professas

Nos púlpitos com ideias às avessas,

Com recortes frívolos da verdade

Que passa ao largo da realidade

Promovendo ao engenho cognitivo

Insensatez de cunho negativo,

Massificada com leviandade.

 Mário Bento de Morais.

10

OS ESQUECIDOS, MAS HERÓIS.

Por que a história não lembra os escravos.

Nem registra seus feitos nos anais?

Quase sempre os tem como marginais

Sem lembrar as exclusões, os agravos,

Nem mesmo com as medalhas de bravos,

Conquistadas em rudes solavancos,

_Mas que lhes nega, a preços, gestos francos

Contra a cor, a valentia, a coragem

Dos cativos mortos sem homenagem

Para esconder o medo dos "Eus" brancos.

 Mário Bento de Morais

11

OS COMPLEXOS SE MOLDAM

Não basta o sol se não houver sereno;

Não basta a chuva se não houver sol;

Nem basta o jardim sem o girassol

Nem o grande se não houver pequeno.

Não basta amor se não houver aceno;

Nem caminho se não houver atalho;

Não há direito sem um ato falho,

Nem justiça que não seja venal;

Nem início se não houver final

Nem recorte se não houver retalho.

Mário Bento de morais

12

ANTES QUE MORRAM AS FLORES

Se acaso as flores pudessem votar

E elas quisessem eleger um líder,

Certamente não seria um outsider,

Mas quem viesse a causa devotar

Esforços gentis, e assim adotar

As pautas que combatam o grileiro

Usurpador, falsário costumeiro,

E que possa ser forte candidato

Para assumir as rédeas do mandato:

O sol, o beija flor, ou o jardineiro.

Mário Bento de Morais

13

UM NOVO CAMINHO

Sou o todo do nada da consciência

Navegando na indigência do vazio

Retido na vanguarda do estio

A espera d'uma nova experiência,

Que flua livre sem intransigência

Pelo mar sublime da liberdade

Onde as vagas bravias da igualdade

Encontrem o sossego das quimeras

Sem despertar a existência das eras

Que partiram só sem deixar saudade. 

Mário Bento de Morais

14

A NOSSA REALIDADE

Ache-se dentro d'um lindo jardim

Florido; lírios, rosas, margaridas,

Verbenas brasileiras coloridas,

Ao lado d'um majestoso jasmim.

Cuidava o floricultor d'um alecrim

Murcho, que o tortulho quase o venceu

Porém, com zelo aos poucos renasceu,

Mas o fungo se juntou a outras pragas

Causando ao jardim rigorosas chaga

De tristeza o floricultor morreu.

 Mário Bento de morais

 15

ANTÍTESES

Ideias vivas; às vidas mortas

Não terão farturas abundantes.

As colheitas são raras, minguantes,

Sob as nebulosas linhas tortas,

Que fecham a lucidez das portas

À Seara da mente desértica,

Infecunda, sem húmus, hermética,

Pela farsante realidade,

Que exorta toda sua vaidade

Na ilusão da vida sem estética.

Mário Bento de Morais

16

VIVÊNCIA DO CAPITAL

O mercado financeiro

Covil de especulação

Chamariz à exploração,

Reduto de trapaceiro,

Mau caráter ratoneiro,

Gângster da Faria Lama,

Burlão causador de drama

Pelos logros aferidos

Com astúcias cometidos

Os quais que lhe dão má fama.

Mário Bento de Morais

 

 



 

A CONSCIÊNCIA MORTA


Oh, Deus da gente sofrida,

Que vives lá nas alturas

Dos Céus e que tudo vês,

Conheces nossas loucuras,

Nossas falhas sem-pudor

Nossas vidas sem amor

Como abrigo de ignorância

Aonde impera a maldade

Sem paz sem fraternidade

Sem do senhor a substância.

 

Como uma ilha inabitada

Andejando os oceanos,

O homem vela a si mesmo

No desamparo dos anos

Então, descobre os segredos

Da vida por entre os dedos

Aos poucos se despedindo

Da imensidão dos valores

Escassos em suas dores

Para a morte progredindo.

 

Esse avanço natural...

Expressa-se a finitude

Da saga lerda do homem,

Na busca da plenitude.

Mas o olho lhe diminui

A má vontade o exclui

De ver a pura verdade.

Sorrir ao discernimento

Sem dar-se ao constrangimento

Imposto pela vaidade.

 

Daí as sequelas vida afora

Consumindo a existência

Dos sonhos que ainda vivem

Talvez até por influência

Dos astros em dissonância

Ponderando a arrogância

Nefasta da presunção,

Povoando corpo e mente

Deixando o homem doente

Em transe de prostração.

 

Sobre o grabatus do cosmo

Dorme o homem inconcluso,

Culpado por não vencer

Das tempestades recluso,

Por uma força invisível

Que se move incompatível

Com as leis da natureza,

Mas, na regra do mais forte

Da terra se aceita a morte

Como norma de limpeza.

 

Mário Bento de Morais