Oh, Deus da gente sofrida,
Que vives lá nas
alturas
Dos Céus e que
tudo vês,
Conheces nossas
loucuras,
Nossas falhas
sem-pudor
Nossas vidas sem
amor
Como abrigo de
ignorância
Aonde impera a
maldade
Sem paz sem
fraternidade
Sem do senhor a
substância.
Como uma ilha
inabitada
Andejando os
oceanos,
O homem vela a si
mesmo
No desamparo dos
anos
Então, descobre os
segredos
Da vida por entre
os dedos
Aos poucos se
despedindo
Da imensidão dos
valores
Escassos em suas
dores
Para a morte
progredindo.
Esse avanço
natural...
Expressa-se a
finitude
Da saga lerda do
homem,
Na busca da
plenitude.
Mas o olho lhe
diminui
A má vontade o
exclui
De ver a pura
verdade.
Sorrir ao
discernimento
Sem dar-se ao
constrangimento
Imposto pela
vaidade.
Daí as sequelas
vida afora
Consumindo a
existência
Dos sonhos que
ainda vivem
Talvez até por
influência
Dos astros em
dissonância
Ponderando a
arrogância
Nefasta da
presunção,
Povoando corpo e
mente
Deixando o homem
doente
Em transe de
prostração.
Sobre o grabatus do cosmo
Dorme o homem
inconcluso,
Culpado por não
vencer
Das tempestades
recluso,
Por uma força
invisível
Que se move
incompatível
Com as leis da natureza,
Mas, na regra do
mais forte
Da terra se aceita
a morte
Como norma de
limpeza.
Mário Bento de
Morais
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