sábado, 10 de outubro de 2026

A CONSCIÊNCIA MORTA


Oh, Deus da gente sofrida,

Que vives lá nas alturas

Dos Céus e que tudo vês,

Conheces nossas loucuras,

Nossas falhas sem-pudor

Nossas vidas sem amor

Como abrigo de ignorância

Aonde impera a maldade

Sem paz sem fraternidade

Sem do senhor a substância.

 

Como uma ilha inabitada

Andejando os oceanos,

O homem vela a si mesmo

No desamparo dos anos

Então, descobre os segredos

Da vida por entre os dedos

Aos poucos se despedindo

Da imensidão dos valores

Escassos em suas dores

Para a morte progredindo.

 

Esse avanço natural...

Expressa-se a finitude

Da saga lerda do homem,

Na busca da plenitude.

Mas o olho lhe diminui

A má vontade o exclui

De ver a pura verdade.

Sorrir ao discernimento

Sem dar-se ao constrangimento

Imposto pela vaidade.

 

Daí as sequelas vida afora

Consumindo a existência

Dos sonhos que ainda vivem

Talvez até por influência

Dos astros em dissonância

Ponderando a arrogância

Nefasta da presunção,

Povoando corpo e mente

Deixando o homem doente

Em transe de prostração.

 

Sobre o grabatus do cosmo

Dorme o homem inconcluso,

Culpado por não vencer

Das tempestades recluso,

Por uma força invisível

Que se move incompatível

Com as leis da natureza,

Mas, na regra do mais forte

Da terra se aceita a morte

Como norma de limpeza.

 

Mário Bento de Morais

 

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