sexta-feira, 10 de julho de 2026

MOTE/PARA O GADO NADA É MAIS SOCIAL, QUE A SUJEICÃO COMO PADRÃO DE VIDA.


O fogo queima, porquanto há lenha?!

Mas até quando vamos nos arder?

Aceitar os fracassos, nos esconder,

Da vergonha, que nasce na resenha,

Daquele que na crítica se empenha

Como análise de fama adquirida

Nas tocas da consciência falida,

Que pulsam no meio judicial

Para o gado nada é mais social,

Que a sujeição como padrão de vida.

 

Por anos de severos vendavais

A palavra ao vento consumida

Pela fé da maldade presumida

Nutri, jovens monstros medievais,

Que a utilizam nos seus festivais

Esse oráculo, engodo suicida

À prática idólatra fraticida,

Que refina o mundo essencial:

Para o gado nada é mais social,

Que a sujeição como padrão de vida.

 

No submundo do verbo, o poder.

Sem empatia, veste-se de raposa,

Dirige-se ao galinheiro, então posa

De galo num esplêndido ascender!

Enquanto lá fora sem entender

A plebe festeja de mão estendida,

Boca trêmula, servil, comovida,

A colher o maná assistencial:

Para o gado nada é mais social,

Que a sujeição como padrão de vida.

 

Bolso vazio, ferrugem nos dentes,

Anos encardidos de tanto contar

As dores vivas que há no cantar

Das notas cruas dos versos dolentes,

Que nascem mudos nos lugares quentes

Pelo sol candente d'alma sofrida,

Rasgando a carne, abrindo ferida

Na pele do povo inter-racial:

Para o gado nada é mais social,

Que a sujeição como padrão de vida.

 

As ideias opostas num conflito

De interesses, que envolvem paz e guerra,

A paz sonha herdar os dons da terra

A guerra ganhar com o povo aflito.

Pois, esse mundo, Qu'eu reflito,

Que a natureza parece que olvida

A maldade ou se faz de maluvida

Pra não ler o passado crucial:

Para o gado nada é mais social,

Que a sujeição como padrão de vida.

 

Mário Bento de Morais

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