O fogo queima, porquanto há lenha?!
Mas até quando vamos nos arder?
Aceitar os fracassos, nos esconder,
Da vergonha, que nasce na resenha,
Daquele que na crítica se empenha
Como análise de fama adquirida
Nas tocas da consciência falida,
Que pulsam no meio judicial
Para o gado nada é mais social,
Que a sujeição como padrão de vida.
Por anos de severos vendavais
A palavra ao vento consumida
Pela fé da maldade presumida
Nutri, jovens monstros medievais,
Que a utilizam nos seus festivais
Esse oráculo, engodo suicida
À prática idólatra fraticida,
Que refina o mundo essencial:
Para o gado nada é mais social,
Que a sujeição como padrão de vida.
No submundo do verbo, o poder.
Sem empatia, veste-se de raposa,
Dirige-se ao galinheiro, então posa
De galo num esplêndido ascender!
Enquanto lá fora sem entender
A plebe festeja de mão estendida,
Boca trêmula, servil, comovida,
A colher o maná assistencial:
Para o gado nada é mais social,
Que a sujeição como padrão de vida.
Bolso vazio, ferrugem nos dentes,
Anos encardidos de tanto contar
As dores vivas que há no cantar
Das notas cruas dos versos dolentes,
Que nascem mudos nos lugares quentes
Pelo sol candente d'alma sofrida,
Rasgando a carne, abrindo ferida
Na pele do povo inter-racial:
Para o gado nada é mais social,
Que a sujeição como padrão de vida.
As ideias opostas num conflito
De interesses, que envolvem paz e guerra,
A paz sonha herdar os dons da terra
A guerra ganhar com o povo aflito.
Pois, esse mundo, Qu'eu reflito,
Que a natureza parece que olvida
A maldade ou se faz de maluvida
Pra não ler o passado crucial:
Para o gado nada é mais social,
Que a sujeição como padrão de vida.
Mário Bento de Morais