quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

MOTE/ FOI BONITA ESSA MULHER/QUE CAMINHA NA AVENIDA


Tudo nesta vida passa

Os caminhos, os atalhos,

As borrascas, os orvalhos,

O tempo que descompassa

O limite que ultrapassa

A corrida pela vida,

Que muito embora sofrida

Ninguém a deve tolher

Foi bonita essa mulher

Que caminha na avenida.


A beleza perde o brilho,

A graça ao passar dos anos

Desbota-se em desenganos,

Quando o desdém é empecilho,

A humildade deixa o trilho

Pra seguir linha perdida

Move-se despercebida 

No tempo de se colher

Foi bonita essa mulher,

Que caminha na avenida.


O encanto vai se esvaindo

Escorrendo entre os dedos

Para esconder os segredos,

Que lhe restaram sorrindo.

A imagem lhe foi fugindo

Aos poucos e sem saída 

Tornou-se enfim, esquecida,

Sem ninguém pra lhe acolher:

Foi bonita essa mulher,

Que caminha na avenida.


A idade desfaz os sonhos

Fecundos da mocidade,

Ao despertar a vaidade

Com seus dogmas enfadonhos,

Estilos torpes, medonhos,

Que a deixou descontraída,

Leve, solta, evoluída,

Para o seu mundo escolher:

Foi bonita essa mulher,

Que caminha na avenida.


Mário Bento de Morais

ENCANTO


Amei assim como a abelha,

Que docemente ama as flores

E se encanta com o néctar 

Mais que a beleza das cores,

Das belas folhas sedosas

Corolas maravilhosas

Ao vento descontraídas

Celebrando o esplendor,

Embriagadas de amor

E de emoções exibidas.


Essas loucuras sentidas:

Entregas, dengos, paixões,

Em cada encontro desejos

Cálidos, sem reflexões

Do vigor da intensidade,

Que incita a cumplicidade

Nas robustas relações 

Dos profundos sentimentos

Eternizando os momentos

Sublimes dos corações.


As divinas sensações

Sagazes de nossas almas,

visíveis em nossos sonhos

Nas noites frias e calmas,

Angelicais sopitavam

Na alcova se guardavam

Como dádivas do amor

Para o amor de quem ama

Sensualidade em chama,

Porém, velando o candor.


Ascende em nós um odor

D'um balsamo embevecido

Exalando a pura essência 

D'um cheiro desconhecido,

Que afeta diretamente

Toda estrutura da mente

À servidão emocional,

Mas são leves turbações 

Por forças das emoções 

Do amor incondicional.


Mário Bento de Morais

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

O PODER NÃO TEM RAZÃO/QUANDO O POVO É VICIADO.

 O homem se torna fruto

Da farsa que lhe motiva,

Urde sagaz narrativa

Expressando gesto bruto.

De mau-caráter, astuto,

Caricato angustiado,

Burlesco licenciado

Para ao logro dar vazão:

O poder não tem razão

Quando o povo é viciado.


Este lindo casarão

De formosa arquitetura,

Já foi um templo sagrado

No auge da monocultura,

Riqueza branca da terra,

Que logo a glória descerra

Como um plano anunciado,

Paradigma da obsessão:

O poder não tem razão,

Quando o povo é viciado.


Era um símbolo de ousadia

Na excessiva adversidade,

Terra e homem se uniam

Em busca de liberdade,

Ideia cismava a mente

Meta, futuro mormente,

Tudo estava iniciado

Vislumbrando ascensão:

O poder não tem razão,

Quando o povo é viciado.


Olhando pra aquele aspecto

De tristeza e abandono,

Não parece os velhos tempos

Da grandeza do seu dono,

Que sonhava construir

Algo para usufruir,

Porém, foi supliciado,

Por um póstero irrisão:

O poder não tem razão,

Quando o povo é viciado.


Sólon da Silva Machado

Fora o idealizador

Daquela obra magnífica,

Ostentando o grande amor

Que sentia por Eulália 

Sua preferida dália

Que o tornava agraciado

Por lhe transluzir paixão:

O poder não tem razão,

Quando o povo é viciado.


Aquela arte será escombros

Pela força da ganância,

Fraqueza do mau político 

Labrosta, sem importância?

Que não fez o tombamento

Do infausto monumento

Rudemente avariado,

Por dolorosa omissão:

O poder não tem razão,

Quando o povo é viciado.


Mário Bento de Morais

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

MOTE/ EU NÃO TENHO O SEU AMOR/MAS AMO O AMOR QUE TENHO.

 

A enxergo, porém, não a vejo,

No entanto, a sua existência 

Sofre fatal influência,

Que chega a falta-lhe pejo.

Nos olhares o desejo

Do conquistador ferrenho,

Na boca dela um desenho

D'uma coração sedutor:

Eu não tenho o seu amor,

Mas amo o amor qu'eu tenho.


De fato, a sua beleza

Estimula, atrai, encanta,

Causa síncope até espanta

O olho sem delicadeza,

Qu'eivado de frivoleza

Fere o rosto, muda o cenho

Mesmo assim eu me contenho,

Lembrando da minha flor:

Eu não tenho o seu amor,

Mas amo o amor qu'eu tenho.


As curvas insinuantes

Presas a veste, sem crimes,

Porém, os alvos sublimes

Desconfortam os semblantes.

Sussurros desconcertantes

Vêm atordoar o engenho,

Mas estóico me mantenho

Conforme a Lei do Senhor:

Eu não tenho o seu amor,

Mas amo o amor Qu'eu tenho.


Rosto suave e bonito

Sabe que o menos é mais

Pois, não se excede jamais

Já que o encanto é finito,

Às vezes, um veranito

Com seu fraco desempenho,

Mas ao respeito me atenho

Para não fender a dor:

Eu não tenho o seu amor,

Mas amo o amor Qu'eu tenho.

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

TUDO NOVO, MAS SEMPRE VELHO!


Titia, eu preciso ser prefeito

Para seguir com sucesso a tradição,

Já sei mentir sorrindo com alegria,

Prometer com empatia

Num falso aperto de mão.


Com competência sei o caminha da nota fria

E a estratégia pra fraudar licitação,

Dessa boquinha eu só quero sair rico

Meu salário eu multiplico

Meu robe é ostentação.


Todo meu plano é sair de bolso cheio,

Com esperteza eu vou superfaturar,

Terceirizando os serviços e a rachadinha

Eu formo uma dobradinha

Ninguém vai me segurar.


A minha luta vai ser desviar recursos

Para engordar a minha conta bancária,

O meu mandato fixei em oito anos

Vou realizar meus planos

Minha gestão vai ser hilária.


Mário Bento de Morais

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

O POVO TEM FOME DE LIBERDADE/OS PODEROSOS JANTAM A OPRESSÃO

 

Não queira ser feliz pela metade,

Porque o astroso o é do mesmo tanto,

A diferença estar em cada planto

Tomado pela alheia má vontade.

De fato, no fosso da tempestade,

Encontra-se sempre a falsa impressão

Atirada em rosto com a expressão:

Palerma - terno da sociedade - 

O povo tem fome de liberdade,

Os poderosos jantam a opressão.


O bem se completa com o respeito

Quando se o tem deveras a si mesmo,

Porém, alguns decidem viver a esmo,

Mas não se exclui o seu natural direito,

Embora um tanto se torne sujeito

A adoba que os conduz a concessão

Aceitando indolente transgressão

Obrigada pela necessidade,

O povo tem fome de liberdade,

Os poderosos jantam a opressão.


Aqui a nova forma de humilhar

Passa pela sujeição democrática

Necessária em meio a vida prática

Sob o ódio da fórmula de agrilhar

Pelos vis que não querem partilhar

Porque desejam manter sob pressão.

A loucura maldita da agressão,

Que fere de morte a realidade

O povo tem fome de liberdade

Os poderosos jantam a opressão.


A vaidade é o maná da injustiça,

Que sufoca os cantares da esperança

Cerceando o favor da temperança

Desistindo da bondade castiça,

Contudo, negar o bem enfeitiça

O tolo domável à submissão

Que o fez afeito sempre a invissão

Por natureza da má insanidade

O povo tem fome de liberdade,

Os poderosos jantam a opressão.


Mário Bento de Morais

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

A VERGONHA AVANÇA


As disputas pelas bocas

Ganham pautas nos jornais,

Os delinquentes em guerras,

Rixas brutas infernais,

O pó ditando o terror

Carnificina, horror,

O mal em caricaturas.

O massacre continua

Sob as mãos da dama-nua

Em suas descomposturas.


As formas dessas disputas

Diferem, porém, iguais -

As duas matam - são drogas,

Que embustecem os eguais.

Com seus modos singulares

Agridem a vida, os lares,

Em meio as cruéis torturas

Perversas vis ameaças,

Promessas chulas, trapaças,

Pilhagens nas conjunturas.


Fazem parte d'uma estrutura

Que esquadrinha a dor, a morte,

Lucra conforme a miséria

Do pobre infeliz sem sorte,

Massa fértil de manobra,

Ralé, indesejável sobra

De malditas conjecturas.

Presa dos lobos-da-terra,

Vítima fatal d'uma guerra,

Que se dar ás aventuras.


Muitos cheiram pra morrer

Outros morrem por fumar,

Uns matam pelo poder

E assim poderão premar,

Com pensamentos maldosos

Mesquinhos, insidiosos,

Os zumbis das desventuras.

Entre dois mundos atrozes

Foros de deuses ferozes,

Que se atem as imposturas.


Mário Bento de Morais