quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

VERSOS X VERSOS


O NATIVISTA

Quantos incivis se alçaram

À fama de jingoistas

Vomitando estolidez,

Teses de cunho extremistas

Enodoando o bom senso

Com alogias fascistas?

A QUESTÃO

A fome não acaba a fome;

A mágoa não acaba a dor;

O pranto não acaba o pranto;

O ódio não acaba o rancor;

O riso não acaba o riso;

Tudo depende do amor.

A IGUALDADE DA LEI

Há poucas terras para os espertos

Escassas sombras, rudes desertos,

Reis soberbos, fâmulos famintos.

A lei aplica-se a lei à maioria

Na lei às benesses à minoria,

Moral venal, direitos extintos.

Num quadro da ordem imperativa

Imagem morta de gente viva

Na favela dos homens distintos!

A IGUALDADE DA JUSTIÇA

Apesar de próximos, são estintos,

Em meio a módulos, labirintos,

De choças vivas, sufrágios válidos,

Que empodera a estirpe medonha

A impor a ordem infame que sonha

O cosmo dos desejos esquálidos

Estalado no vão do descuido

Do modesto há muito extorquido

Pelos brilhantes cidadãos cálidos.

DESGOVERNO

A ordem omissa em governos pálidos

Incapazes, lânguidos inválidos,

Exaure-se em si por inação.

Colga rindo a moral da república

Satirizando a verdade pública

Com escárnio fútil, danação,

De origens exordiais anárquicas

Nodoando as regras hierárquicas

Bases dos poderes da nação.

FALSA REALIDADE

Quando brilha a alienação

Mentes fúfias sem arguição

Expelem falsa realidade,

Engodo à coorte de venosos,

Que exalam estertores raivosos

Padrões atrozes d’antiguidade,

Formação social incomum

Que feri o século vinte um

Com a lança fatal da maldade!


No campo foi-se a simplicidade

Viver nas ruelas da cidade

Confinada a espera da morte!

Direita e esquerda, desdenhado

Humanos objetos definhando

A vida nos cavoucos da sorte,

Enquanto, a impostura prospera

A indignidade da massa gera

Um País sem imagem nem porte!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

HINO À IMACULADA CONCEIÇÃO - PADROEIRA DE SÃO MAMEDE


Oh! Madre Santa Imaculada Conceição,

Tende piedade do sofrer de cada irmão:

Tende piedade Senhora!

Tende piedade Senhora!

Tende piedade, sede a nossa proteção.

Tende piedade Senhora!

Tende piedade Senhora!

Tende piedade pela nossa salvação.


Oh! Mãe santíssima queridíssima Padroeira,

Tende piedade, abrandai as nossas dores!

Tende piedade Senhora!

Tende piedade Senhora!

Tende piedade, aceitai nossos louvores

Tende piedade Senhora!

Tende piedade Senhora!

Tende piedade destes pobres pecadores.


Oh, Virgem pura! Consagrai São Mamede,

Tende piedade peço-vos de coração

Tende piedade Senhora!

Tende Piedade Senhora!

Tende piedade ensina-nos o perdão

Tende piedade Senhora!

Tende piedade Senhora!

Tende piedade Mãezinha da Conceição!





quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

CRÉDULO

Siga o dia a dia a causar pena

Já que a pena, às vezes, pari santo!

Camelôs da fé, vis ambulantes

Insurrectos da ressurreição

Suplicando justiça a justiça

Afligindo os dons da divindade!


Bancar a graça da divindade

Sem prover-se de socorro a pena,

Causa pena a sublime justiça,

Pois sem custo não haverá santo

Digno a viver à ressurreição

Sem os préstimos de ambulantes.


No mercado da fé os ambulantes

Licitam nas bancas a divindade!

Quem quer dar mais à ressurreição?

Dou-lhe uma, duas, três... Vale pena

Porque você poderá ser santo,

Amém? Se você fizer ju$tiça!?


Há! sim irmão, vou fazer ju$tiça!

Aleluia em coro os ambulantes!

Gritos eufóricos... Vou ser santo!

Tenho os floreios da divindade,

Enchi-me da presunção da pena

Estou hábito à ressurreição!


Morri ontem, hoje há ressurreição?

Sim, hoje. Mas quite-se à ju$tiça,

Para que venha a unção da pena

Pela tortura dos ambulantes

Mediadores da divindade

Astutos produtores de Santo.


Nas alturas do íntimo o santo

Põe-se a aflito à ressurreição

Sob as aviças da divindade,

Que cobiça as bênçãos da ju$tiça

Dos lábios férteis dos ambulantes,

Que de “amor” adormecem de pena


Custa-me crer na humana pena,

Porém, creio na ressurreição

Do Senhor da eterna divindade!


sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

OS FLOREIOS DA RAZÃO MÍOPE SUBSTITUEM A CONSCIÊNCIA?

Os nossos antigos procuravam nos condicionar a sentimentos de obrigações com atitudes morais e justas, para que desse modo, fôssemos aos poucos adquirindo, com exercícios diários, o instituto da consciência; gerando cidadãos para conviver com situações adversas.

Mas, eis a questão que se impõe a principio “fazer ou não fazer. Às vezes, juramos de pés juntos, que fizemos algo certo ou deixamos de fazê-lo, por pura consciência, será?

Quando uma derrota nos é imposta pela vontade da maioria, ou numa disputa onde o vencedor que fora mais efetivo mais dedicado e, portanto, venceu, nesses casos, é justo começar uma guerra? Só porque o resultado não me foi favorável? Isso resolve tudo? Ou aumenta mais o tormento, segundo Nietzsche, “Às vezes, as pessoas não querem ouvir a verdade porque não querem que suas ilusões sejam destruídas”. De modo, que promover arroubos inferiores contra a verdade do fato consumado, não pode ser pretexto para prejudicar a virtude da consciência.

Senão, cada vez que uma derrota nos aconteça, devemos aceitá-la ou talvez confirmar o que disse o Alemão? “Quem luta contra monstros deve garantir que, no processo, ele não se torne um monstro. E se você olhar o suficiente para um abismo, o abismo voltará a olhar para você”. Cuidem-se! A derrota não se institui o fim, mas o começo de um novo tempo que poderá trazer a ressignificação nuclear para o aprendizado dos erros primários cometidos. Deixe o passado aos cuidados dos historiadores, pois, se a derrota o deixou vivo, é porque deseja torná-lo mais forte!




quinta-feira, 17 de novembro de 2022

O TOLO X O TIRANO

 

O tolo que deu o poder

Ao tirano agora implora

Por justiça da injustiça,

Que humilha desvarola,

Mas se sente confiante

Na caixinha de pandora!


Deixa-se ser governado

Sob a canga no pescoço,

Fútil se doa incontrito

Quer a vida sem esforço,

Zomba da honestidade

Vê na mentira um colosso.


Reflete os anos devotos

Sem se mostrar compungido,

Entende ser seu fadário

Sujeitar-se restringido

Serviçal, fiel sabujo,

Pelos deuses escolhido.


Nada além d’um sevandija

Toca-lhe à mente helminta

Que sem o mar das entranhas

Murcha-se aos poucos faminta

Com a absência de alimentos

A sua fome indistinta.


Sente-se um pária fausto

E sonha o sonho comum

Como tantos outros sonhos

Que se sonha em cada um

Sonho que morre sem sonho

Vivendo sonho nenhum.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

PASSO A PASSO


Às vezes, caminhar é preciso

Por ai, solto, meio de improviso

Pelos cantos sem cantos de guerra,

Sem as regras que tolhem a mente,

Apenas o ser nu… Mas contente

Em fugir da avidez que desterra

A alma do homem para o abismo,

Fosso profundo do niilismo

Feral à humanidade da terra.


Banhar-se em bons hábitos encerra

Seguir sem a pequenez que emperra

A porta do livre aceso a vida,

Que se abre após o primeiro passo

Embora débil, mas se o compasso

For firme em direção da partida,

Nada pode impedir a vitória

De quem com brilho faz a história

Nascer do caminhar em saída.


No entanto, coragem, fronte erguida!

Eis o mundo real sob medida

À sua frente, moldável, prático,

Vença-o! Sem torná-lo inacessível,

Mas fruto d’um presente possível

Da mente de postulado fático,

Que sonda a viva realidade

Sem se dobrar à necessidade

Do produto do complexo estático.


De fato, há algo mais que emblemático,

Quando o temor se faz sistemático

Causando danos ao cognitivo

Impostura inegável do atraso

Feição caricata do descaso

Cultural de cunho punitivo,

Que se dá em forma de tempestade

Traindo o sonho de liberdade

Renascendo o mundo primitivo.



segunda-feira, 7 de novembro de 2022

OS REGALOS ETERNOS

 

Os sonhos que voam no deserto

D’alma que se povoa de dores,

Terão extenuados seus remígios

De tanto buscar velhos amores,

Que em soluço se foram além

Sem paz procurando-se também

Por entre perversos estertores.


Mas, tudo enfim, inspira regalos,

Que se nutrem de gentis afetos,

Suaves beijos, gestos afáveis,

Que às vezes, se propõem insurretos!

Tocando a alma profundamente

Deixando liberto o corpo a mente

Expostos aos desejos concretos.


Quantos em retiros diferentes,

Cismam ainda as velhas paixões,

Que se imortalizaram nas nuvens

Da memória das emoções.

As quais, mais das vezes, quase vivas,

Ressurgem mansamente afetivas

Acordando sadias sensações.


As marcas deixadas, quase sempre

Afloram mantras envelhecidos,

Que foram eternos nos momentos

Lembráveis e jamais esquecidos!

E se vivos estão, mas distantes

Foram divos, densos, importantes,

Mas agora, estão adormecidos!


Ah! Se um dia a gente conseguisse

Trazer de volta aquele passado,

E à tona viessem as vivências

Que as tornou prazeroso legado

À vida a vibrar às emoções,

Que lavram as velhas sensações

D’um pobre coração já cansado.