segunda-feira, 12 de agosto de 2024

A VERGONHA AVANÇA


As disputas pelas bocas

Ganham pautas nos jornais,

Os delinquentes em guerras,

Rixas brutas infernais,

O pó ditando o terror

Carnificina, horror,

O mal em caricaturas.

O massacre continua

Sob as mãos da dama-nua

Em suas descomposturas.


As formas dessas disputas

Diferem, porém, iguais -

As duas matam - são drogas,

Que embustecem os eguais.

Com seus modos singulares

Agridem a vida, os lares,

Em meio as cruéis torturas

Perversas vis ameaças,

Promessas chulas, trapaças,

Pilhagens nas conjunturas.


Fazem parte d'uma estrutura

Que esquadrinha a dor, a morte,

Lucra conforme a miséria

Do pobre infeliz sem sorte,

Massa fértil de manobra,

Ralé, indesejável sobra

De malditas conjecturas.

Presa dos lobos-da-terra,

Vítima fatal d'uma guerra,

Que se dar ás aventuras.


Muitos cheiram pra morrer

Outros morrem por fumar,

Uns matam pelo poder

E assim poderão premar,

Com pensamentos maldosos

Mesquinhos, insidiosos,

Os zumbis das desventuras.

Entre dois mundos atrozes

Foros de deuses ferozes,

Que se atem as imposturas.


Mário Bento de Morais

sexta-feira, 26 de julho de 2024

O IGNORANTE ACREDITA NAQUILO QUE ELE NÃO SABE E DESCONHECE A REALIDADE DAQUILO QUE ELE ACREDITA SABER.

 

                                        Credito de amigos de São Mamede

 A truculência raivosa

Flui na forma de progresso,

O passado caricato

Revigora o retrocesso,

D'um presente disfarçando

Que só se presta ao digresso.


A arrogância em excesso

Gera monstros no poder;

É fruto de escolha errada,

O povo tende a perder,

Os meandros da história

Pra depois se arrepender.


Porém, há de se entender,

A força que o voto tem!

Fazendo certo dá certo

A coesão se mantém,

Pois sendo a escolha certa

Nela a lógica se atém.


Assim, todos se atentem,

O futuro está nos dedos

Já que não há consciência,

Mas dilemas e segredos

Contados ao pé do ouvido

Como sussurros de enredos.


Mais forte do que torpedos

Promessas vencem o voto!

A sujeição democrática

Varre como terremoto,

Os destinos dos humildes

Pela causa do maroto.


Contudo, no mercado roto,

As ações da democracia

Estão cem por cento a venda

Procure a mediocracia

Corretora responsável

Com aval da aristocracia.


Eia! Sus, a democracia!

Forte, avante, vai sem rumo,

Cofre versos doma tolos

Jardim sem plano nem prumo, 

Sonhos superfaturados,

Fontes de bens e consumo.


Mário Bento de Morais

quarta-feira, 17 de julho de 2024

MOTE/COM AS BENÇÃOS SOLENES DA JUSTIÇA/CRIMINALIZA-SE A HONESTIDADE


As chicanas povoam o direito

Para postergar ou impor embaraços,

Daqueles do tipo João sem braços,

Que ferem os aspectos do conceito

Sorvendo a moral proba do respeito

Jurídico, desviando a verdade,

Do caminho da santa liberdade

Torturada pelo ego da cobiça:

Com as bençãos solenes da justiça

Criminaliza-se a honestidade...


Nos tribunais os recursos desabam

Pelas vias vivas das veniagas,

Amoitadas por trás das contas pagas

Tradições que nunca se acabam,

Nas coxias os atores se gabam

Dos atos cênicos de iniquidade

Em cartaz nos teatro da cidade

Apresentando lotação maciça:

Com as benções solenes da justiça

Criminaliza-se a honestidade...


Vende-se a razão a troco de subornos

Estes são os valores da consciência 

De alguns doutos postos em evidência,

Que servem aos maus hábitos de adornos.

Quando flagrados alegam transtornos

Ou que não houve irregularidade

Porque preza por sua idoneidade

E nem a sua honra desperdiça:

Com as bençãos solenes da justiça

Criminaliza-se a honestidade...


Não há antídoto que cure a ganância

Nem lei robusta que agasalhe o fraco,

Tão pouco um laço que apanhe o velhaco,

Ou o soberbo censurar a arrogância.

O cético deixar a petulância,

A cognição vê Deus com humildade,

O que julga não ter cumplicidade,

Mas o condão da entidade castiça:

Com as bençãos solenes da justiça

Criminaliza-se a honestidade...


Mário Bento de Morais

quarta-feira, 10 de julho de 2024

OS ESTULTOS CULTURAIS/CEIFAM OS BENS DA HISTÓRIA

 

Foi Dona Celly Vianna

Filantropa afetuosa,

Que concedeu às lavadeiras

Está sombra generosa,

Que lhes trouxe dignidade

Este gesto de bondade

Vive ainda na memória

Com registros nos anais:

Os estultos culturais

Ceifam os bens da história.


São Mamede está perdendo

As marcas da identidade

Construídas pelo povo,

Mas a perfídia vaidade

D'um vândalo carcomido

Com seu perfil exibido

Destrói ou louros da glória

Dos nossos bons ancestrais:

Os estultos culturais

Ceifam os bens da História.


Tonha preta, filha nobre,

Vítima da ignorância,

Que só conheceu a labuta

Desde a mais tenra infância,

Teve que ser serviçal

D'uma elite desleal,

Desumana, predatória,

Com seus conceitos banais:

Os estultos culturais

Ceifam os bens da História.


Dona Cícera Gouveia

E Francisca de Rosendo

Ao lado de outras mulheres

Nesse trabalho sofrendo

Sob um sol forte escaldante

Que lhes deixavam distante

Do começo da vitória

Para os sonhos irmanais:

Os estultos culturais

Ceifam os bens da História.


Genocídio cultural

Vitimou a Cely Vianna,

Um bem fruto do trabalho

D'uma gente soberana.

Mas o parvo embrutecido

Com seu ódio endurecido

E uma maldade notória,

Exala seus dons danais:

Os estultos culturais

Ceifam os bens da História.


MOTE/LIMITE INVENÇÃO DO AVARO/PARA FRUSTRAR O PRAZER...

Não dotaram o simplório

Do direito de pensar,

Mas se sente suasório

Quando costuma incensar.

Essa é a arte que lhe coube

Pois de fato nunca soube

Doutra coisa pra fazer

Por ser um infausto ignaro

Limite invenção do avaro

Para frustrar o prazer...


Vê Deus, mas reza ao diabo

Seu melindroso comparsa,

Que sobre o lixo do estrabo

Traçam os planos da farsa,

Nutrem o ego de maldade

Causando a sociedade

A ideia de benfazer,

Mas lhe pesa o despreparo

Limite invenção do avaro

Para frustrar o prazer...


Sonda a forma de enganar

Pelos meios presunçosos,

Quer a todos dominar

Com seus dogmas ardilosos.

Só faz o que lhe convém

Trata os outros com desdém

De fato é mais um blazer,

Que se sente um homem raro:

Limite invenção do avaro

Para frustrar o prazer...


Tem a lógica da inveja,

Sonha em alcançar a glória,

Mas, ás vezes, esbraveja

Reclamando da História,

Que lhe nega o alcândor

Do triunfo, do esplendor

Para seu "eu" satisfazer,

No entanto, tem pouco faro:

Limite invenção do avaro

Para frustrar o prazer..



quinta-feira, 13 de junho de 2024

MOTE/NOS BANQUETES OS CHACAIS/EXIBEM A ALMA DO POVO.

São Feras que matam mais

Do que vaidades de guerra,

Ferem mais que a falsidade

Da justiça aqui da terra,

Que nas planícies lautas

Dos sonhos de suas pautas

Buscam um destino novo

Em meios aos alvos reais:

Nos banquetes os chacais,

Exibem a alma do povo.


Caçam nas veigas gentis,

As presas fracas, cansadas,

Para as tê-las sob o julgo

Das benesses fracassadas.

As quais, são meros projetos

Sem objetivos concretos

Que têm dos pares o aprovo,

Porque são todos iguais:

Nos banquetes os chacais,

Exibem a alma do povo.


Sentem-se úteis á injustiça,

Ao sustentarem o atraso,

Estão aptos aos dons do mal

Que se dão com o descaso

Ás favas ao bem comum!

Negando para cada um

Os cajás d'um mundo novo

Com seus modos radicais:

Nos banquetes os chacais,

Exibem a alma do povo.


Sem arte, espalham prosápias

Pelo vento que os despreza,

Nem se lhes lançam a luz

Nas manhãs da natureza.

Esses demônios humanos

Perseguem, fazem planos

Roendo as sujeiras do ovo

Como sempre nos comesais:

Nos banquetes os chacais

Exibem a alma do povo.


Mário Bento de Morais

sexta-feira, 17 de maio de 2024

15 DE AGOSTO DE 2023 - A HISTORIA.


15 de agosto... A desonra

Veio trazer dor e choro

Ao meio já calejado

De insalubre desaforo

Da pobreza combalida,

Insatisfeita, falida,

Pela falta de decoro.


Insípido e inodoro,

Mas por graça da franquia

Tornou-se as dores do povo,

Que sem razão o delinquia,

como se um gens do passado

Voltasse, sedento, ousado,

Oh! sus! Velha oligarquia!


Eia! Tempo de anarquia

Com o voto encabrestado:

A "servidão voluntária"

Sob o chicote arretado,

Que no ar fazia uma dança,

No corpo grave mudança

Sobre o lombo do coitado.


Mas o verdugo espritado

Tinha poder sobre a vida,

Dominava a dor da morte

Em vista a sorte vencida

Pela fraqueza humana

Vestida de soberana,

Mas moralmente ofendida.


Oh! Meu ramo foi doída

As manhãs sem liberdade,

Morre-se a primeira morte

Sem viver a eternidade

Pagando os onze pecados

Todos criminalizados

Pela força da vaidade.


O ímpeto da tempestade

Sobre os destinos avança

E desaba incontinente

Sem margem para lembrança,

Assim os velhos costumes

Trazem inférteis estrumes

Que incendem desesperança.


Vinte e seis. Sus! Tem festança,

Céu azul, plena claridade!

Ar puro, afável, profundo...

Eis o que é a liberdade,

Comparada a servidão.

Oh! Pergunte ao cidadão

A cor da sociedade.


Mário Bento de Morais