quinta-feira, 21 de abril de 2016

MINHAS QUIMERAS

Minha terra não têm palmeiras
E nem canta o sabiá
As aves que aqui têm
Choram não sabem cantar.

Minha terra não tem beleza
Apenas um triste luar
Que brilha no céu como os olhos
De um mendigo a implorar.

É triste é muito triste
Igual tristeza não há
Nos olhos de um povo triste
Olhando a vida passar.

Sabiá que em outros tempos
Cantou alegre na serra
Cante agora sabiá
Para o povo da minha terra.

Cante lá no juazeiro
Que na minha terra tem
Cante, cante para meu povo,
Pra vê se a alegria vem.

Sabiá teu lindo canto
Perde-se na amplidão
E o meu canto que é triste
Reboa no meu sertão.

Tu cantas a liberdade
E tens o céu pra voar
Eu canto a dor do meu povo
Que não tem aonde chorar.





sábado, 12 de março de 2016

CONVENIÊNCIA VERSUS CONSCIÊNCIA

O que vale o povo? A resposta vem do lado mais profundo do sentimento daqueles que amam o povo de quatro em quatro anos numa relação de íntima de distancia, nada!

E o que leva um povo a aceitar a submissão como meio e solução à sobrevivência, se o poder verdadeiro estar ali bem ao alcance da mão de cada cidadão responsável, chamado simplesmente de voto? Essa palavra (voto) com apenas duas sílabas é uma poderosíssima arma na mão de quem tem consciência, resta saber se essa tal consciência existe e se o cidadão pode ser o seu portador.

A consciência reside no palácio da razão que por sua vez a tem como conselheira e confidente. É muito razoável, sempre e diuturnamente, busca-la sem descuidar-se um só momento, pois, para o descuido uma pequeníssima fresta basta para causar danos a uma sã consciência.

Os enamorados do povo não o consideram como o dono do poder, mas como uma massa manipulável sem destino que se alimenta da verdade sem lastro.

O inventou da palavra colocou-se acima do bem e do mal e se considerou um deus. Nada mal para alguém que criou um mecanismo que serve apenas para designar nomes às coisas e se o intento era ser útil com a sua criação foi além, deu a alguns homens o sal para temperar o paladar da mentira.  

Dessa forma, o povo foi dominado, humilhado e escravizado. E, se alguém se oferece para alforriá-lo recebe a paga dos fracos, a santa filha da ganância que se chama de conveniência.

Os monges do atraso por meios de vícios fantásticos perverteram ao longo das décadas a cultura proba dos antigos: a palavra dada tinha força de lei; um fio do bigode uma recomendação acima de qualquer suspeita.


Mas, os apóstolos da deusa do inferno, a política, afirmam que a palavra dada vale menos ainda do que o voto, assim a palavra e o voto se confundem e morrem sem antes se conhecerem para se desejarem uma feliz política. 


O tempo do povo (já publicado)

Quando se evidência o tempo político - lixo fatal na consciência da escolha - nasce da apatia dos eternos descuidados que irresponsavelmente abandona a juventude da cidadania para oferecer literalmente os pulsos às algemas: pobres anjos de barro com suas trombetas de plástico a produzirem sons lamuriosos, apenas dentro do círculo hermético do qual faz parte e no qual recarrega as suas hediondas ambições. Nesse tempo, astutos constroem castelos, anões afrontam gigantes, serviçais desafiam deuses; mas ninguém se dispõe a ouvir o canto surdo dos pigmeus que aos berros falam aos ouvidos abatidos. E dos seios murchos da terra faminta, os inventores da submissão, continuam a se alimentarem das melhores iguarias; já a maioria recolhe as migalhas do banquete: faisão recheado à forestière, no tempo do povo!

O tempo do povo é seu tempo (publicado)

O tempo político é mais pesado do que o ar, e seu peso é como um projétil certeiro que procura sempre a nossa cabeça. E jamais erra o alvo! Para o povo que vive do tempo não há mais tempo, pois a espera pelo tempo morreu na fila do tempo que não teve tempo para o seu tempo. Assim, caminham as barrigas de bolsos vazios, sempre através do tempo quase sem tempo. E passam-se os tempos e os temporais não cessam, faltou-lhes tempo nos dias turvos e nas noites brancas. E o tempo voa pelas trilhas das eras sem asas, buscando o além de si em si mesmo. Enganando-se e massacrando-se, iludindo-se e destruindo-se, até quando? Ora, o ontem é tempo, o hoje é tempo, o amanhã é tempo e tudo é tempo, até sorrir é tempo. A paciência é tempo, a pressa é tempo, a destreza é tempo sem glória; enquanto o sim é tempo, o não é tempo sem história. E o povo? Ah! Este tem tempo sim, mas perde-o sempre com sonhos inúteis e promessas surreais: se eu ganhar esta eu vou ajudar a toda sua família. A vitória chegou sem rédeas e sem focinheira – no tempo. As dívidas com os enganados – esquecidas. Agora já é outro tempo. Esse novo tempo vai precisar de muitos bolsos para guardar-se. Tudo é tempo. A derrota também é tempo, mas até quando? Quando? Não sei. Pergunte ao povo que se quiser pode ser o senhor do tempo.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O CANGAÇO EM SÃO MAMEDE

O “Cangaço” em Reminiscências no Depoimento de Cobra Verde, do Bando de Antônio Silvino.


A história sempre me encantou muito, principalmente, quando relata as tropelias dos antigos valentes, homens desassombrados que não conheciam o medo e não levavam desaforo para casa. Sertanejos assanhados que povoaram o sertão, criados para sobreviverem a ferro e fogo sem melindre algum. 

E, foi lendo o livro “Gente de Ontem Historias de Sempre”, (edições Itacoatiara, pág. 17), texto O “Cangaço” em Reminiscências no Depoimento de Cobra Verde, do Bando de Antônio Silvino - da lavra do repórter de o “Jornal o Norte”, Dorgival Terceiro Neto - que descobri fatos da Historia dos anos 30, século 20, relacionados à minha terra São Mamede.

Trata do depoimento ainda em vida do ex-cangaceiro Odilon Sebastião da Silva, ao ilustre jornalista em 15/11/1987.

O texto tem uma riqueza imensurável de detalhes, e começa dando o nome do lugar aonde nascera. Assim narra seu Odilon ao jornalista: nasci ali na Umburana, hoje Itapetim, Pernambuco. Meu pai era da família Garapa, de Teixeira, Paraíba, e minha mãe dos cunhas, das Cacimbas, hoje município de Desterro, também na Paraíba, Mas eu fui batizado em Soledade.
 
Segundo seu Odilon, porque o pai havia se metido numa briga e foi preciso fugir às pressas. Eu era novinho e fui levado dentro de um saco para Soledade, onde meu pai foi morar na fazenda Santa Teresa, do Coronel Claudino Alves da Nóbrega, Dino perna-de- pau, porque tinha uma perna postiça de madeira.

Perguntado pelo repórter como se incorporou ao bando de Antônio Silvino, Cobra Verde dá seguinte informação: eu tinha dez anos de idade, quando ele apareceu em Santa Teresa. Procurava um menino para recados e mandados. Interessou-se por mim porque eu era ligeiro.

O ex-cangaceiro conta com precisão os detalhes da primeira virgem, do apego do Capitão Antônio Silvino pela Paraíba, dos combates, os reveses sofridos nas lutas, a constituição do bando com os nomes dos companheiros, os enfrentamentos com tiroteios, os nome dos coiteiros e narra com muita riqueza de informação como e porque aconteceu o REVÉS FINAL e a prisão do Capitão.

Adiante na pag. 26, falando de “Outros Fatos”, o repórter pergunta ao seu Odilon: E como comprava arma e munição? A resposta veio fulminante. Nunca comprou nada disso. E nunca deixou de ter rifle bom e bala. Os fazendeiros lhe davam, porque precisavam de amparo dele contra perseguições de inimigos e dos “macacos”, os policiais.

A seguir o repórter faz a pergunta que me chamou atenção. E os apetrechos do bando, quem os dava? A reposta não poderia ser tão significativa para mim como a que foi dada, pelo seu Odilon. Era tudo feito ali em São Mamede, pelos carocas: os chapéus de couro, cartucheiras, “alparcata” e bornais. Os punhais eram verdadeiros espetos. Também eram dados.

Ora, os Carocas eram uma família de artesões que residiam em São Mamede nessa época. Eram especialistas na confecção de artigos de couro e na produção de facas e punhais, porque também tinham o oficio de ferreiro. As peças eram disputadíssimas pela qualidade acabamento e forja. Essa família mantinha comércio intenso dessas peças com Campina Grande, importante centro comercial da época. É tanto que no fim dos anos 40, transferira-se definitivamente para lá e se tornara grandes comerciantes.

Esse depoimento de “Cobra Verde” reforça muito as narrativas de Sr. Antônio Luís de Lima, seu Antônio Caixeiro, como era conhecido em São Mamede – quando nas conversas de calçadas nos anos 60 – dizia seu Antônio, que o bando do Capitão Antônio Silvino, estivera mais de uma vez em São Mamede.

“Militar de 20 Conta História de Bandoleiros e Bando Armados”

Ainda sobre o livro, noutro depoimento fantástico, pag. 61, texto “Militar de 20 (1920) Conta História de Bandoleiros e Bando Armados”, agora do Coronel Manoel Arruda de Assis, em 1979, aos 92 anos de idade, ao magistrado, mestre de Direito e historiador Humberto Mello, ex-presidente do Instituto Histórico e Geografia do Estado, e a Maria Antônia Afonso de Andrade, que recolheram para o Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional da Universidade da Paraíba, o que lhes contou o antigo militar.

“(...) O relato que fez o Coronel Manoel Arruda, dos fatos que viu e dos quais participou, são pinçados da gravação e reproduzidos a seguir, de forma sumaria (...)”.  Os títulos dos relatos são: ainda na Pag. 61 De Soldado a Coronel, na pag. 62 Volantes, na pag. 63 Os Bandos na pag. 65 Confrontos e Turras Com Zé Pereira e na pag. 66, o titulo é “Poderio de Zé Pereira”. Aqui vou transcrever o que disse o Coronel, porque trás uma informação muito importante para História de São Mamede.

O Coronel Manoel Arruda dá conta do poderio do Coronel Zé Pereira: José pereira era quem superintendia a construção dessa estrada que o senhor veio. Estavam fazendo essa estrada, carroçável, em 22, desde Sousa até São Mamede. Tinha um grupo todo armado de rifle e fuzil, de Jose Pereira. Era ele quem mandava no Estado. Mandava e desmandava. Ele tinha Prestigio naquela fronteira todinha de Pernambuco: Flores, Custódia e triunfo...

Obs. Os pesquisadores foram de João Pessoa até a fazenda do coronel, em pombal, para entrevista-lo. Portanto, quando ele disse “superintendia a construção dessa estrada que o senhor veio”. Estava se referindo a estrada que liga São Mamede a Pombal, hoje BR 230, claro que modificada em alguns pontos.

Esses dois depoimentos deixam que remontemos aos poucos a historia de nossa Terra. São esses retalhos garimpados a muitas mãos que vão dando a dimensão exata dos fatos ocorridos no passado e que, certamente, nortearam o ardor do nosso presente. A eterna ninfa do ygubas.
  

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A VOLTA TRIUNFAL DO PSICOPATA


Que adjetivo deve-se usar para designar um assassino frio? Calculista, psicopata, filho do diabo, pervertido, aberração da natureza, anomalia? Mas, tratá-lo desse modo muda alguma coisa em relação ao comportamento desse tormento social ou isso não passa apenas de uma explosão solidária de indignação? Alguns estudiosos relacionam tais criminosos como portadores de distúrbios de personalidade anti-social, isso quer dizer, que essas pessoas não têm respeito nem pelos direitos e muito menos pelos sentimentos dos outros, são assíduos violentadores das normas.
As origens da agressividade do sociopata dividem os estudiosos. Uns acham que estar no cérebro, principalmente, no córtex frontal, na parte que fica abaixo da testa, responsável direto pelas nossas emoções. Outros afirmam que os traumas sofridos na infância podem ser a causa que dar origem a falta de sentimentos dos psicopatas, dentre eles estão: as doenças mentais, os problemas neurológicos, abuso sexual e violência infantil. Os estudiosos ainda deixam bem claro que esses eventos considerados razoáveis podem tornar uma pessoa frágil em um assassino potencial.
Essas pessoas anti-sociais geralmente são levadas pela falta profunda de escrúpulos, exacerbado egoísmo, não aceitam competição, detestam limites, alguns são extrovertidos, outros não. No fundo são dissimulados. O fato é que o psicopata passa por muitos testemunhos cuidadosamente planejados até chegar o momento de entrar em ação. As vitimas estão quase sempre inermes. O ataque é bem elaborado. Violento e sem nenhuma possibilidade de chance de defesa para vitima.
Algumas pessoas teimam em afirmar que o assassino sempre volta ao cenário do crime, essa afirmação torna-se verdadeira (quando voltamos ao velho e bom sertão dos anos 90). Ali se passou um crime cuja ação do criminoso nos leva a classificá-lo como plano de uma mente diabólica. No início da noite de um fim de semana, quatro “amigos” estão tomando as ultimas saideiras, quando um deles – o futuro assassino – se levantou da cadeira em que se achava sentado – bem à frente da vitima – fez a volta por trás sacou um revolver encostou o cano da arma na nuca e apertou o gatilho. Morte fulminante. O assassino fugiu. Os ”recursos” lhe permitiram deixar o local sem ser alcançado pela justiça, tudo graças ao bom relacionamento estabelecido... Os anos se passaram e durante todo esse tempo o assassino estivera à solta e nunca fora importunado; estava sempre á salvo, certo de que a justiça jamais lhe bateria à porta...  Por quê?
O crime fora prescrito por razões obvias. Agora era preciso voltar para dar testemunho da ineficiência da justiça. Os “amigos”, os de sempre, aqueles que esquadrinhavam a movimentação desnecessária da lei e que estavam sempre alerta já disseram: tudo está limpo, a sua volta vai ser triunfal! E foi. Foi um show! Foi em grande estilo, às visitas chegavam a todo instante para felicitá-lo com palavras de boas vindas e abraços. Abraços fraternos, de regozijo, de carinho e afeto, de respeito pela volta do herói anjo da morte. Se Frederico, o grande, estivesse vivo e assistisse ao vivo e a cores tamanha insanidade, certamente diria: “Ah! mon  cher Sulzer, vous ne connaissez cette race maudite à laquelle nous appaarteons”.
E agora, quem é a próxima vítima do assassino?     

fonte: Mente que Mata - Superinteressante.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A POESIA POPULAR




 A poesia popular é uma manifestação artística cultural que dimana da sensibilidade criativa e intelectual do povo. Suponho que foi observando a sonoridade idêntica que existem entre certas palavras, que surgiu a ideia de ordená-las em uma, duas ou mais linhas originando dai à poética. De posse desse excepcional fenômeno, o povo pôde através de seus vates, encontrar enfim uma forma de manifestar-se, passando a narrar em versos os fatos históricos importantes, os grandes amores, as paixões siderais, o heroísmo dos valentes, as lendas, os mitos, as guerras e as festas religiosas.  
Fala-se muito sobre a origem possível da poesia popular, fato que demandará esforço físico e mental e disponibilidade de tempo, de muito tempo para se chegar a bom termo. Temos algumas informações que nos remetem ao século XII, D.C, dando conta de que as primeiras manifestações da literatura popular ou literatura “oral” ou literatura de cordel ou literatura do povo, ocorreram no ocidente com os peregrinos que se encontravam no sul da França, em direção à Palestina; no norte da Itália, para chegar a Roma; e ainda na Galícia, no santuário de Santiago de Compostela.
Outras, no entanto, nos levam a Portugal, aonde a poesia popular circulava com o nome de folhas volantes ou folhas soltas e, sua chegada a esse império se deu por volta do século XVI e/ou XVII; e nesse contexto histórico, segundo Teófilo Braga, a venda e a divulgação dessas “folhas” se tornaram prerrogativas de cegos.    
 Sabe-se também que esse mesmo tipo de literatura era denominada de “Pliegos sueltos” na Espanha, fato recorrente também em muitos países da América latina; exceto Nicarágua, México, peru e argentina que a nomearam de “Hojas” e/ou “Corridos”.
Na França surgiu sob a designação de “litterature de colportage” ou de literatura ambulante, tinha seu foco principal voltado, sobretudo para as pulsações da lida do meio rural através de “occasionneis”, sendo que nas cidades predominavam os “canard”.
Na Inglaterra, folhetos iguais aos da nossa literatura de cordel, eram correntes e designados de “Cocks” ou “catchpennies”, eram romances e histórias do imaginaria; e “broadsides” estes folhas volantes sobre fatos históricos e circunstanciais diversos.
Possivelmente, o ano de 1830 marca historicamente o início da poesia popular no nordeste brasileiro, estão entre os representantes principais os poetas mal-assombrados, Ugolino Nunes da Costa e seu irmão Nicandro Nunes da Costa, filhos do famoso poeta Agostinho Nunes da Costa, natural de São João do Sabugi – RN. Estes bardos cantadores da poesia pé de parede se utilizavam de alguns instrumentos para acompanhá-los nas cantorias, tais como: a viola, o pandeiro, a rabeca e ou o ganzá.
Na última década do século XIX, sugerem algumas leituras, que poetas populares Paraibanos, migraram para o Estado de Pernambuco, fugindo de dificuldades econômicas, climáticas ou a procura de espaços para divulgarem a literatura de cordel, a grande maioria radicalizou-se na capital. No Recife, esses poetas encontraram um terreno infinitamente fértil para disseminar o vírus cultural dessa literatura: além das condições econômicas favoráveis às realizações, ainda receberam influencias do movimento intelectual poético crítico, filosófico, sociológico, folclórico e jurídico de 1860 e 1880, conhecido como a “Escola do Recife”, que alargou horizontes importantes, sob o influxo de Tobias Barreto, Joaquim Nabuco e o sideral Castro Alves. A década fora promissora, dizem as leituras, porque ainda brilhavam os raios luminosos do saber; persistiam as discussões acirradas que aqueciam as mentes e os espíritos belicosos e, as prodigiosas polêmicas excitavam a sociedade que respondia com elevado entusiasmo e empolgação.
Dentre os poetas paraibanos que experimentaram um “pouco” desse legado extraordinário que foi o imensurável colosso da “Escola do Recife”, estão: Leandro Gomes de Barros nasceu no sitio “melancia” município de Pombal - PB, em 19 de novembro de 1865 e faleceu no Recife - PE, em quatro de março de1918; Silvino Pirauá de Lima nasceu no município de Patos – PB, no ano de 1848, em 1898 migrou para o Recife onde fixou residência, faleceu em 1913 na cidade de Bezerros – PE; João Martins de Ataíde nasceu em cachoeira de Cebolas, povoado de Ingá de Bacamarte – PB, em 23 de junho de 1880, na seca de 1898 migrou para Pernambuco, radicalizando-se no Recife, faleceu na cidade de Limoeiro – PE, em 1959; Francisco das Chagas Batista nasceu na vila do Teixeira - PB, em cinco de maio de1882, faleceu em João Pessoa - PB, em 26 de janeiro de 1930. Em 1900, vendia água e lenha e estudava em Campina Grande – PB, e em 1902 escreveu seu primeiro folheto, “saudades do sertão”. Em 1905 vendeu folhetos no Recife, e em Olinda esteve no seminário, mas passou pouco tempo por lá.
Mas, em fim o que é poesia popular? Suponho ser o modo puro e direto de animar e consolar os espíritos fadigados através da arte de fazer versos. Cantar os sentimentos do povo cuidando-lhe dos sonhos, ironizando as dificuldades, exibindo o fantástico e construindo cenas do dia-a-dia numa linguagem simples, sem mistificar a realidade, mas apresentando sempre o mundo literalmente real. O poeta Patativa do Assaré, faz uma comparação do poeta popular com o poeta clássico (cantor de rua) quando diz no início do seu poema “Cante lá que eu conto cá” – poeta, cantô de rua/ Que na cidade nasceu/ Cante a cidade que é sua/ Que eu canto o sertão que é meu – nas estrofes 11, 12 e 13; fica demonstrado, portanto, nesse aspecto, o quanto a poesia clássica se distancia da realidade para viver o mundo mágico das ilusões. Veja o que disse Patativa:     

Seu verso é uma mistura,
É um tá sarapaté,
Que quem tem pouca leitura,
Lê, mais não sabe o que é.
Tem tanta coisa incantada,
Tanta deusa, tanta fada,
Tanto mistéro e condão
E ôtros negoço impossive,
Eu canto as coisa visive
Do meu querido sertão.

Canto as fulô e os abróio
Com todas coisa daqui:
Pra todo canto que eu óio
Vejo um verso se bulí.
Se as vez andando no vale
Atrás de curar meus male
Quero repará pra serra,
Assim que óio pra cima
Vejo um diluve de rima
Caindo inriba da terra.

Mas tudo é rima rastêra
Da fruita de jotobá,
De fôia de gamelêra
E fulô de trapiá,
De canto de passarinho
E da poêra do caminho
Quando a ventania vem,
Pois você já tá ciente:
Nossa vida é diferente
E nosso verso também.

À distância a que nos referimos acima, fica evidente na técnica refinada, na elaboração das imagens e no tom eloquente dos versos marca registrada dos poetas clássicos. Outro aspecto importante é a migração de poetas populares para o meio clássico, às vezes, chegam até a ignorar as suas origens. Essa migração sempre se dá por três motivos possíveis: ascensão cultural, social ou econômica, fato inerente também as pessoas. A verdade é que quando se verifica certo nível de melhoria nas condições de vida, as pessoas tendem aprimorar as necessidades e refinar-se desprezando suas raízes, isso ocorre porque, dizem os novos clássicos, as concepções mudam e se aprofundam em direção ao esplêndido, o olhar simples passa a ser critico e exigente, despertam as regras que movem o “bom gosto” que sugere o belo e como consequência às artes clássicas.
Também, se pode afirma que a poesia não se originou em um único lugar, região ou País, a poesia tem sua origem na palavra, e esta criada apenas para “conferir designações às coisas”, encantou o homem e perpetuo-se como a primeira das artes. Estudiosos levantam questões as mais diversas para apontar a origem ou determinar o lugar de onde veio à poesia, mas creio ser esforço inútil. Relata a história que Homero foi o maior poeta Grego de todos os tempos, autor das obras Ilíada e odisseia que tratam da civilização desse povo maravilhoso e que viveu entre os séculos 9 e 8 A.C, e acredita-se que sua vida vai até 700 A.C. Suponho ainda, que antes desse fabuloso poeta Grego, tenha existido outros tão fabulosos quanto ele: em impérios, reinos, colônias, estados e/ou cidades estados. Só que as obras desses poetas não chegaram os nossos dias, ao contrario das de Homero, isto por razões óbvias, tais como: invasões, guerras, tiranias e perseguições.
Todavia, países invasores do passado como: Inglaterra, Espanha, Holanda, França e Portugal, além de cometerem inominável violência aos países invadidos, ainda pilhavam suas riquezas e destruíam a identidade cultural do povo. Diferentemente do império Romano (não que esse império tenha sido bonzinho, isso não); mas procurava preservar a identidade do povo dominado para evitar problemas, segundo o poeta latino Horácio. Portanto, considerando a chegada desastrada dos espanhóis às Américas, poderíamos chamá-los de iconoclastas perversos e não colonizadores, que o diga os povos “Incas e Maias”, que habitaram às Américas.
Pouco ou quase nada restou da cultura exuberante desses povos. Certamente nessas sociedades havia poetas, escritores, pintores, músicos enfim, artistas. Quem eram eles? Como viviam? Onde estão as suas obras? Quem as guardou ou quem as escondeu? Ora, esses povos tinham uma cultura de um nível muito elevado para os padrões da época, algumas relíquias ainda existentes provam isto, mas são apenas retalhos dessas sociedades grandiosas e nada mais. Outros povos povoaram o mundo e legou suas culturas a posteridade, mas em que mundo elas estão?
As dúvidas pairam sobre uma névoa densa de um passado longínquo e nebuloso, as explicações não convencem, sobram perguntas sem respostas. Assim, suponho que a poesia sempre esteve presente na vida dos povos; popular ou clássica não importa de onde veio e nem pouco ou muito me interessa. Apenas encho-me de alegria em saber que o primeiro verso foi obra de Deus, “Que exista a luz”! E a luz começou a existir.

domingo, 12 de abril de 2015

A VERDADE MORTA

PRIMEIRA PARTE


O século das luzes despertou
O mundo das ideias, da razão;
A luz desse lume se espalhou
Iluminando o céu do sertão.

E nas margens do Rio sabugy
A história da gente começou
Pelas mãos de Negreiros o porvir
Para brancos e índios se mostrou.

Mas o convívio de irmãos findou
Assim que as mentes se enxergaram!
Foi quando o gênio da cobiça iscou
Os olhos que nunca mais gritaram.

Dai a ganância a beijar a morte
Sob a lei do azorrague ardido,
No cabo o punho mau da coorte
Ao solo o sonho virgem vencido.

Por força da gana foram caçados
Como bicho, oh Meu Deus, que horror!
Faz o homem aos homens humilhados
Sob o céu de infâmia, meu senhor!

O bando de sicários implacáveis,
Desalmados ao extremo; insanos!
Trucidavam àqueles miseráveis
Para o bem da casta dos tiranos.

O asseio étnico, o extermínio
Ações típicas dos feros grileiros,
Que exercem pela terra fascínio
Sob a guarda perversa de rafeiros.

Ensurdeceram as vozes da terra,
Os sons se perderam na tempestade
Dos vivos que só herdaram da guerra
Os dons de morrerem na eternidade.

Dizimados os Netos de Janduí,
Reino pilhado, tudo ao inferno!
O sangue pelo poder a exibir
Corpos inumados no chão materno.

Assim... Cessou-se sem “resplandecer”
As seis décadas de barbárie calma;
Até a carta desalmada vencer
A vida insubordinada n’alma!

Do ilustre a ordem intempestiva
Fez-se sesmo aquele chão sagrado,
Morte inerme à nação nativa
Na carta o crime assinalado.

O sesmeiro, silente, atilado,
Esconso no Reino de Janduí,
Pela caatinga ingente, cismado,
Espreitava um feudo construir.

À Baia o sesmo aos índios morte,
Na verdade, hábito recorrente!
Na America do Sul e do Norte
Crimes impunes brasileiramente.

Salve a ninfa das antigas lendas,
Na crença nativa ente vestal,
Oh! São Mamede. Oh! Santo menino
O seu nome veio de Portugal.

À Baia o sesmo aos índios morte,
Jacta-se o crime à extinção!
O Vale em mãos alheias sem norte
O Sabugy alheio à injunção.

Então, o século sem luzes partiu,
Sem história, pobre foi-se em vão,
Nada deixou de legado, sumiu,
Pelas vagas dispensas do sertão.

Nasce o século principio do fim
Dos impérios de memórias desertas,
Que transcende de um tempo ruim
Á era das invenções e descobertas.

Aos poucos o vento da liberdade
Sopra o rosto do poder absoluto:
Ferindo sua falsa intensidade
Negando a ordem desse instituto. 

A massa serva se expõe ao sonho
De viver dias ao som de seus tambores
Até olvida o fado medonho
Proseando em versos seus louvores.

Oh! Liberdade amante dos loucos,
Tu és eterna, santa quando mondas,
A última vaidade dos naroucos
Quando varres esse mal em tuas ondas.

Os feitos do século das grandezas
Apontam os rumos da liberdade:
Justiça na divisão das riquezas
É a senda pra gerar a igualdade.

E o Vale caminha esquecido
- Pelo mundo dos serviçais (amem!) -
Sob o relho no lombo sem gemido
Só aceitam aquilo que os convém!