domingo, 6 de novembro de 2011

JOÃO BATISTA DE SIQUEIRA - CANCÃO


João Batista de Siqueira – deus da literatura popular, o imortal Cancão. Nasceu no dia 12 do mês da “Virgem Maria”, do ano de 1912, no sítio Queimadas município de em São José do Egito, solo pernambucano. Ali passou toda sua existência. Em 1950 deixa de cantar e passa a viver recluso no seu reino encantado. Faleceu no dia 5 de julho de 1982, em seu lindo berço. No ano de sua morte houve em Patos – PB, um festival de violeiros. As maiores duplas do Brasil vieram participar do belíssimo evento. Uma dupla em particular despertou o entusiasmo do público após o anuncio do mote para sete sílabas. Morrei um cancão sem penas/deixando pena pra nós”, foi uma apoteose! E para coroar o mote o poeta Severino Ferreira (in memória) teve a felicidade de improvisar esta maravilha.

“A morte tomou chegada

E dele calou a voz,

Antigamente ele era

Um dos grandes rouxinóis

Pra ele rezei novenas

Morreu um cancão sem penas

Deixando pena pra “nós”. (fragmento)

CANCÃO é autor do hino SONHO DE SABIÁ. O poema conta a tristeza de um sabiá após cair em uma armadilha, um alçapão. Preso em uma gaiola o passarinho entristece e um dia sonha com a liberdade. O poeta usa todo seu potencial de matuto amante da natureza para denunciar as atrocidades do homem ao “cantor da mata. Vejam fragmento da ultima estrofe. “Assim o cantor da mata/ferido da sorte ingrata/ no outro dia morreu” Agora vamos ao poema.

Um sabiá diligente

Voou pela vastidão

Mas por inexperiente

Caiu em um alçapão

Depois de aprisionado

Ficou mais martirizado

Pensando no seu filhinho

Implume, sem alimento

Exposto à chuva e ao vento

Sem poder sair do ninho.


Deram-lhe por seu abrigo

Uma pequena gaiola

No casebre de um mendigo

Que só comia de esmola

Só vivia cochilando

Com certeza imaginando

Sua liberdade santa

Ia cantar, não podia

Que sua voz se perdia

Logo ao sair da garganta.


Tornou-se a pena cinzenta

Em seu profundo castigo

Na Salete fumarenta

Da casa do tal mendigo

Sempre triste arrepiado

Nesse viver desolado

Ia um mês, vinha outro mês

Assim completou um ano

Sentindo seu desengano

Nunca cantou uma vez.


Depois, uma tarde inteira

O pobre do passarinho

Sonhou que ia a palmeira

Onde tinha feito o ninho

Olhava, em frente, as campinas

Via por trás das colinas

A natureza sorrindo

Ao sentir a liberdade

Pensou ser realidade

Sem saber contou dormindo.


Depois, sonhou que voltava

À terra dos braunais

Por onde sempre cantava

Ais outros sabiás

Voava nas ribanceiras,

Pousava nas laranjeiras

Olhando o clarão do dia

Voava através do monte,

Voltava a beber na fonte

Que todas manhãs bebia.


No sonho via as favelas

Criadas nos carrascais

Voou, baixou, pousou nelas

Cantou os seus madrigais

Voltou, colheu os orvalhos

Que gotejavam dos galhos

Dos frondosos jiquiris

Contente abria a plumagem

Pra receber a bafagem

Das manhãs do seu país.


Foi à terra dos palmares

Atravessou toda flora

Voou por todos lugares

Que tinha cantado outrora

Passou pelos mangueirais

Entre os outros sabiás

Cantou sonora canção

O seu som melodioso

Estava mais pesaroso

Devido a sua emoção.


Viu a vinda do inverno

Nos quadrantes da paisagem

Ouviu o sussurro terno

Do bulício da folhagem

Cantou todo arrebol,

O brilho morno do sol

Morrendo nos altos cumes

Sentia, quando cantava

Que seu coração chorava

Com mais tristeza e queixumes.


Sonhou catando sementes

Num campo vasto e risonho

Sentia-se tão contente

Que sonhou que fosse um sonho

Olhava pra vastidão

Tocava em seu coração

Um regozijo profundo

Toda delicia sentia

Às vezes lhe parecia

Vivendo fora do mundo.


Voou por entre os verdores

Atravessou as searas,

Cantou pelos resplendores

Das manhãs frescas e claras

Passou pelo campo vago,

Bebeu das águas do lago,

Pousou sobre um arvoredo,

Penetrou num bosque escuro,

Ai sonhou um futuro

Tão triste que teve medo.


Depois, sonhou que estava

Trancado em uma gaiola

Ouvindo alguém que cantava

Na porta, pedindo esmola

Ao despertar de momento

Reparou seu aposento,

Ouviu falar o mendigo

Fechou os olhos pensando

Sentiu seu íntimo chorando

No rigor do seu castigo.


Ainda em vão procurava

Sair daquela prisão

Seu olhar denunciava

Piedade e compaixão

Ao pensar na liberdade

A mais pungente saudade

Devorava o peito seu

Assim, o cantou da mata

Ferido da sorte ingrata

No outro dia morreu.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ESMOLA PRA SÃO JOSÉ

Obra prima de um dos gênios da Literatura de Cordel, o campinense Zé Laurentino. Essa pérola traz uma lição que deve ser divulgada nas escolas e nos meios de comunicação do Brasil. Zé, como ninguém soube passar, creio o maior de todos os ensinamentos, o respeito. Portanto, podem se deliciarem com esse tesouro da lavra de um grande Zé.
Têm certas coisas seu moço
Que de bom gosto eu não faço
É dá esmola a quem pede
Com santo embaixo do braço.

Pois eu acho que os santos
Não têm muita precisão
Afinal eu nunca vi
Um santo comer feijão.

Mas por arte de pecado
Ou por minha pouca fé
Todo dia lá em casa
Passa um velho andando a pé
Por sinal muito feliz
Chega a minha porta e diz
Esmola pra São José!

E o diabo da mulher
Que é muito da alcoviteira
Nunca vi uma mulher
Que não seja rezadeira
Adquire um tanto ou quanto
Corre e vai dá ao santo
Pra o velho fazer a feira.

Muitas vezes logo cedinho
Se eu vou tomar o café
Quando dou fé é o grito
Esmola pra São José!

Isto foi me enchendo o saco
Cada dia enchendo mais
Um dia cheguei em casa
Com a braguilha pra trás.

Sentei num sepo de pau
Tomei uma de rapé
E ouvi a voz lá na porta
Esmola pra São José!

E para dar a esmola
A mulher se remexeu
Mas eu lhe gritei não vá
Pois quem vai hoje sou eu.

Quando eu cheguei a porta
O velho teve um espanto
E eu disse vá trabalhar
Que eu não dou esmola a santo
Troque o santo numa enxada
Deixe de ser preguiçoso
Pois santo não quer esmola
Deixe de ser presunçoso.

O velho me olhou e disse:
- Que São José te perdoe
E se Deus tiver te touvindo
Quero que ele te abençoe.

E que cubra tua casa
De paz, amor, união
Sossego, prosperidade
Conforto e compreensão.

E se um dia o senhor
Precisar deste velhinho
Ele não mora tão perto
E eu lhe ensino o caminho.

Fica no sítio Cauã
Onde já morou meu pai
A direita de quem vem
A esquerda de quem vai.

Se um dia o senhor passar
Por ali com precisão
De fome o senhor não morre
Também não dorme no chão.

Quando o velho disse aquilo
Eu senti naquele instante
Como se eu fosse uma formiga
Sob os pés de um elefante.

Tava com as pernas tremendo
Digo e não peço segredo
Que o velho deu-me uma pisa
Sem me tocar com o dedo.

Eu com tanta ignorância
Ele tanta mansidão
Fez eu pagar muito caro
A falta de educação.
Então naquele momento
Eu gritei por Salomé
Mandei trazer pra o velhinho
Uma xícara de café
E contando o meu dinheiro
Só encontrei um cruzeiro
Dei todinho pra São José.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

VOCÊS SE LEMBRAM?

Aos três filhos da Fazenda Santa Fé:
Marluce, Chico e Marlene

Ás quatro da manhã de todos os dias a fazenda santa fé, no município de São Mamede – PB despertava com um aboio suave e solene do vaqueiro para iniciar a celebração do ritual da ordenha. De repente uma orquestra de chocalhos com acordes frementes e desafinados tilintava num musical ensurdecedor aos ouvidos refinados, mas angelical e sublime aos ouvidos rústicos, acostumados à dureza das quebradas do paraíso chamado sertão. Na porteira do curral a bezerrada agitada esbarrava-se num frenesi constante, a ansiedade a atormentava e a espera a tornava impaciente até o grito do vaqueiro: “estreliiinnnha” (era o nome da vaca que ia ser arreada à ordenha). Mãe e filhote simultaneamente respondiam num mugido como se algo sensorial as estimulasse e logo se aproximavam da porteira: a mãe para receber a cria e oferecer-lhe as tetas intumescidas de leite; a cria na intenção ingênua de banquetear-se com o manjar da vida, o leite sagrado! Num toque rápido o vaqueiro gira a cravelha da porteira, os gonzos ressequidos e oxidados pela ação do tempo, soltavam um ringido cansado acompanhado de um apelo sonoro quase sepulcral para anunciar o fim da tortura humilhante do chiqueiro! O filhote em alvoroço adentrava no curral e logo se deparava com a sua mãe e às pressas buscava as tetas. Faminto e atraído pelos eflúvios da fonte da vida o que lhe causava forte indício de aflição, o bezerrinho tentava ao máximo tirar proveito desse momento: abanava a calda, batia as patas contra o chão de estrume, mudava de lado e com movimento alucinado desferia cabeçadas contra a panela de úberes forçando o apojou. Ali ao lado e de pé, o vaqueiro pausadamente, começava a prender as pernas da vaca, ou seja, arriá-la: enquanto isso o lactente se esbaldava nas tetas. Todavia, a experiência do vaqueiro permitia-lhe cronometrar mentalmente o tempo exato para afastá-lo da mamada – o que logo acontece. Com o arreador nas mãos, o ordenhador exímio, passava-o em torno do pescoço do vitelo e o prendia ao corpo da mãe (na altura superior do braço direito) para proceder à ordenha. Em seguida se assentava sobre um banquinho tosco de madeira, e num bote certeiro alcançava a calda inquieta da protegida dos “vedas” e com a vassoura desta limpava as tetas e depois a prendia entre o arreador e a sua perna. Por último, com uma das mãos tomava o “vaso de leite” pela asa; colocava-o entre os joelhos curvados, acomodava-o a contento e com as duas mãos sugava as tetas túmidas do divino liquido. Aos poucos se aproximava o fim da ordenha daquele dia. O vaqueiro olhava constantemente em direção a uma casinha de sapê sobre o alto próximo ao curral. Lá estava a sua amada (Severina Lucena de Morais). A família havia aumentado desde a primavera de 1941, agora já eram três. Três belas crianças fortes, saudáveis e de uma beleza infinitamente sertaneja. O vaqueiro ainda pensava nessas coisas quando ouve: pai tem leite? Era Marluce, Chico e Marlene. Iam tomar leite no curral. Assim começava a primeira tarefa do dia do vaqueiro – Amaro Bento de Morais.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A PRIMAVERA DA IDADE

Maria Marluce de Morais
A primavera, certamente é a mais especial de todas as estações do ano. Creio ser o período em que Deus tira férias no céu e vem à terra para contemplar o esplendor de sua belíssima obra. E para agradar ao Mestre dos mestres, ao Deus dos deuses a natureza santamente torna visíveis as flores de todas as espécies e cores, fortalecendo, portanto, a sentença dos antigos: “a terra é o jardim onde Deus repousa”. Os dias desta estação são mais longos e calorosos, mesmo assim sopra gentilmente uma brisa suave, convertendo-a na mais sublime das estações. E foi assim, nesse cenário multicor que na primavera de 1941, precisamente no dia 3 de dezembro, nascia na fazenda santa fé, município de São Mamede, na filha das Neves, sem luzes para não ofuscar-lhe o brilho, a primeira estrela vésper do vaqueiro, que logo se tornaria uma constelação no céu de Amaro Bento de Morais e de Severina Lucena de Morais. Essa estrela trazia na pele o albor primoroso das nuvens, a maciez e o brilho cintilante da seda, a suavidade diva dos anjos.
Levada a pia batismal a pequena recebe o nome de “Maria”, como justa homenagem a Senhora do amor, a Esposa de Deus, a Mãe de Jesus. Reconhecido o prenome “Maria” diante de Deus e dos homens, acrescentam-lhe ainda um segundo o de “Marluce” para depois finalmente, adotar o de família “Morais”. A pequena de sorriso fácil medra livre como um arroio cristalino entre dois montes sob o sol causticante do sertão rude e áspero. Contudo, nesse contraste surreal entre o feio e o belo, o primitivo e o tosco; fluiu para o esplendor da vida e a glória de Deus, Maria Marluce de Morais. A sertanejinha criada no meio rústico, fadadas as agruras de uma terra quase selvagem, alcança prodigiosamente a benevolência da natureza. E como dádiva a mãe de todos, conserva na florzinha matuta linhas profundas e simétricas da beleza européia e o pendor sereno dos caboclos do sertão. Com um olhar bem detido, podemos perceber que lhe aflora do rosto bem delineado traços aristocráticos, e fundindo-se a estes, nas atitudes de criança, embora de forma involuntária, por assim dizer, modos inerentes a nobreza.
E foi nesse mundo real e quase imaginário, onde a razão e o amor, por motivos diversos estraçalham impiedosamente vidas e sonhos, projetos e ilusões; mas que por designo da força criadora dos seres: você nasceu cresceu e vive, como uma deusa que descobriu o elixir da longevidade e o conservante da beleza, a estrela vésper do vaqueiro da fazenda santa fé, Maria Marluce de Morais.
Aqui vão os parabéns de todos os seus irmãos e irmãs e a benção santa de Amaro Bento de Morais e de Severina Lucena de Morais.

domingo, 24 de julho de 2011

CIVILIDADE?!




Olhemos bem e com olhos justos para não sermos falazes com a civilização que temos a fim de não perecermos dispersos já que somos alavancados por espíritos extremamente poderosos que se movem em direção intimamente opostas entre si, quando se observa: o cristianismo, outras religiões e a ciência. A carga absurda dos sentimentos, as excitações super aquecidas das energias oriundas das fantasias mentais intumescem a engenharia da fé nos que pensam a fé acima da verdade. Valho-me agora, do pomposo talento de Schopenhauer, e de sua vitalidade filosófica, donde conclui que: jamais até agora uma religião, nem imediata nem imediatamente nem como dogma nem como alegoria conteve uma verdade. E Nietzsche enxerga a fé no seio da absoluta verdade quando sentencia: a fé intensa só prova sua intensidade, não a verdade daquilo em que se crê.


Estar no cerne do espírito do homem o conhecer e logo ir além é uma necessidade o que não o desumaniza como querem uns; porém creio ser o nível alcançado pelas ciências as quais denominamos de especificas que fornecem frieza e ceticismo quando se sonda a fé frente à verdade. Porquanto, não é a fé que preocupa a verdade é a falta de verdade que preocupa a fé. Quando se analisa a fé na essência da verdade conclui-se com alguma facilidade que espaço há na verdade para a fé, basta que se seja puro com a fé e com a verdade e vice versa, não mercadores da fé nem médicos da verdade.


Segundo a língua e a experiência, a fé exige daquele que crer: convicção, crença cega e incondicional alheia a argumentos da razão; outros vêem a fé como uma reunião de dogmas e doutrinas que dar existência a um culto; também se afirma que a fé é a rocha angular das três virtudes teologais, às quais são: fé, esperança e caridade. Já a verdade pura e simples pousa unicamente de verdade sem arranjos nem formulas mágica, conforme versam os sábios: a verdade é a harmonia entre a subjetividade do conhecimento e os fatos ou eventos objetivos que deflagraram esse conhecimento; ou ainda, dizem os mestres: a verdade é a correspondência entre a imagem intelectual de uma realidade e a realidade em si.


Sobre o cristão de todos os dias, disse Nietzsche: se o cristianismo tivesse razão com suas teses do Deus vingador, da propensão universal ao pecado, da predestinação pela graça e do perigo de uma condenação eterna, seria um sinal de fraqueza de espírito e falta de caráter não se fazer padre, apóstolo ou missionário e não trabalhar com temor e tremor exclusivamente para sua própria salvação; seria absurdo perder assim de vista a vantagem eterna em troca da comodidade temporária. Supondo que tenha fé, o cristão de todos os dias é uma figura lamentável, um homem que realmente não sabe contar até três que, de resto, justamente por causa de sua incapacidade mental de calcular, não merecia ser castigado tão duramente como lhe promete o cristianismo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

LIMITE?!


Vive-se num mundo de ventos que começam brandos, transformam-se em redemoinho e aos poucos se tornam uma grande tempestade quando se colocam em evidência reais as três fêmeas mais desejadas desde os tempos antigos: “a moral e a liberdade”. A primeira caracteriza-se pelas ações impessoais do sujeito (ente eu) no ato moral em si, sem nunca deixar de considerar importantes os atos públicos ou privados, dos quais participa como agente ativo, sendo estes prestimosos e bons norteiam o uso comum e o ajustamento social nas comunidades. A segunda demasiadamente profunda e ainda distante do imaginário desse (ente eu), isto porque, o seu uso fora da análise da terceira fêmea “a razão”, não molda a contento o convívio comum do (ente eu) porque fere a essência do agir livre, e causa descompasso na evolução já experimentada; de modo que o (ente eu) adquire solida possibilidade de voltar á natureza primitiva caso não despreze de forma radical e culta os antigos erros.
Esses erros em voga a milênio, a custa da irresponsabilidade do (ente eu) que traumatiza o siso da causa (moral) e seu efeito paralisa intempestivamente o sonho (liberdade) por falta de inspiração que leve a (razão), os quais podem tornar o (ente eu) por causa da insensatez adquirida durante a efetiva formação, um bruto ou um malvado. Culpar o (ente eu) agora se comete desumana injustiça, já que ninguém nasce nem tão ruim como se pensa nem tão bom como se queira. Há de se buscar no interior dos termos algo igualmente justo á causa: é possível ser moral, ter liberdade e agir com razão todas as horas? Analisando termo a termo e considerando a trajetória do (ente eu) em suas ações e emoções, concluímos a contento que: mesmo na ausência de afeição material; distanciamento do eu; rígida disposição adquirida pela freqüência dos mesmos bons atos elevados a condição de costumes; despojamento de si mesmo – ainda assim, disse Nietzsche: é mais agradável ofender e pedir perdão em seguida do que ser ofendido e conceder o perdão.
Moral, liberdade e razão – trindade da essência do (ente livre) desde tempos longínquos, concebida de forma errônea e posta a serviço da escravidão do (ente eu) pelo (ente eu) e este finge conhecê-la e alardeia-se seguidor indômito, intransigente e feroz. Porquanto, é sabido que emoções intensas nada justificam senão tão-somente uma intensidade disfarçada, que na origem é julgada pelo (ente eu) como justa a seu favor, porém em desfavor de outrem. No entanto, essa prática ilícita atende pelo nome de boa vontade, a mesma que se conduz superior em momentos de guerra entre o (ente eu) e a sobrevivência por causa da aridez da ganância. Todavia, a trindade da essência do (ente livre), desafia as eras sem encontrar o (ente capaz de ser livre), mas um dia quem sabe talvez, na solidão eterna da caixa de Pandora se encontre o pior dos males, a esperança; o propósito de Zeus é trágico para o (ente eu) o qual fecha as portas para o (ente livre) e sem opção resta aceitar o padecer, o sofrimento e a dor resignado, justificando o que disse Simônides: A miséria dos homens é justamente o tema sobre o qual os deuses tanto gostam de ouvir e cantar.

terça-feira, 19 de julho de 2011

DISCURSO SAUDANDO DR. RICARDO TADEU FEITOSA BEZERRA , ASSESSOR JURÍDICO DA FUNDAÇÃO ESPAÇO CULTURAL DA PARAÍBA - FUNESC 2010, PELO SEU ANIVERSÁRIO


Era 20 de agosto de 1962, a casa de Aluísio Bezerra da Silva e de Áurea Feitosa Bezerra, tornara-se plenilúnio de bênçãos, de regozijos infindos, de sonhos impensáveis! Esperavam-se por designo de Deus a vida brotar do amor para santificar a esperança na terra; nos céus, anjos cantores solfejavam a canção das quatro estações para anunciar o maior dom de Deus, o milagre insondável da vida!
Os arcanjos em alvoroço bradavam: alegrem-se todos nasceu na pequenina aldeia das Neves um varão elevado, ele receberá nome de Ricardo Tadeu Feitosa Bezerra. E, como por um cinzel ficará marcada na pele da deusa Themis a sua imagem consagrada à sensibilidade, a erudição. Um lorde por estirpe, um gentleman por natureza. "Ele abraçará o credo imprudente do aventureiro do incerto; e terá o ânimo dos valentes de garantir os outros, e se esquecerá não por desleixo que macula, mas por desprendimento que o envaidece de garantir a si mesmo".
Seu Aluísio exultava-se com a suprema delicia que realiza o homem: a alegria dos que receberam o dom de ser pai. Assim, também fizera Deus: sendo Deus quis ser pai para realizar-se Deus. Realizado exclamou: “Eu Sou Deus”! Gritarei na torre dos mudos para edificar meu altar na tempestade dos surdos. “Eu Sou Pai”! Educarei na verdade para que conheças somente a verdade.
Dona Áurea, na plenitude do amor materno destempera-se e alude do idioma coloquial uma expressão de êxtase: “lindo, parece um ratinho branco!”. Expressão assim, dita por quem nos ama não dói, é um elogio; e sugere a natureza santa de quem a diz. Mas se dita por estranho, fere o nosso ego, estrangula a nossa imagem, e às vezes, sepultam as nossas primaveras; e também, descobre-se a arrogância dos que desconhecem o amor.
A casa dos Bezerra nunca mais foi à mesma! A alegria ganhou destaque de musa, a ternura tornou-se um sol no inverno do seio familiar. A felicidade, senhora incompreendida pelos que compreendem apenas a si, pediu abrigo no éden daqueles que compreendem que a felicidade é um bem de toda humanidade – ensinamentos de seu Aluísio e de dona Áurea. Ratifica Martin Luther King: Ou aprendemos a viver juntos, como irmãos, ou perecemos todos juntos, como loucos. O apóstolo de Deus, Padre Vieira, complementa: se olhas com amor o corvo é branco; se olhas com ódio, o cisne é negro.
O filho de seu Aluísio trouxe de origem uma alegria mansa, movimentos sóbrios e densos; e desde sempre guiado por mentes e mãos quase divinas, sorveu no regaço da família, “o melhor e o mais velho vinho”.
Passada as efervescências inerentes ao nascimento de uma criança, e ainda, os anos psicológicos que revolucionam todo lar e ás vezes, até derrubam conceitos que os séculos estabeleceram, eis que vem a época da escola. Como a maioria das famílias de pais dedicados, Ricardo foi fazer seus primeiros estudos no colégio Pio X. Dali só saiu para fazer direito na UFPB.
Formado enfrentou o mar para não margear rios; e na luta logo descobriu que poucos alcançarão as alturas quando se tem asas atrofiadas! Porém, o aventureiro do incerto alou-se para alçar às alturas, porque quis respirar o ar puro que somente os “condores” respiram quando nos seus vôos sidéreos.
Afortunou-se de conhecimento na ciência do direito, como fizera seu irmão mais velho, Dr. Aluisio Bezerra. Logo veio a fiança genuína – o reconhecimento público. Notoriedade explicitada agigantou-se ainda mais no meio jurídico da Paraíba, com as causas vitoriosas.
Com tanto brilho, logo “foi presa fácil para as mulheres” e uma arrebatou-lhe o coração: Aline de Lourdes Lustosa Carvalho Feitosa Bezerra. A paixão foi avassaladora que culminou em 29 de dezembro de 2001, com o enlace matrimonial, na Igreja de São Francisco, imortalizada pelo poeta: A Igreja de São Francisco/A mais bonita do mundo!/Eu creio que o imenso Deus/Sábio eterno e profundo/Mandou um anjo construir/Caiar, pintar e polir.../E lá do céu exclamou/Esse presente só exiba/Na capital da Paraíba/A terra do esplendor!
Dessa harmonização quase divina (o casamento), afloraram dois formidáveis rebentos: Ricardo Tadeu Lustosa Bezerra Filho e Rafael Lustosa Carvalho Feitosa Bezerra, ilustres dádivas que prosperam para justificar a glória de Deus – o homem vivo.
Dimensionar o causídico Ricardo Bezerra, necessário seria tornar-lo um homem comum – algo imensurável para um deus – e tarefa impossível para quem é ínfimo; cabe o ensinamento do sábio: os deuses não se dimensionam, apenas contemplamos a sua infinita dimensão, e isto é o bastante para nós humanos.
Doutor Ricardo Bezerra, os funcionários da Fundação Espaço Cultural da Paraíba – FUNESC, o parabeniza pela passagem do seu aniversário.

João Pessoa - PB, 20 de agosto de 2010.
Mário Bento de Morais