sábado, 15 de abril de 2017

A DÁDIVA


Dedicado à senhorita Anne
Colega de trabalho.



Gentil dádiva da mãe natureza
Tens ó diva, ainda em teu rosto
Puro, nobre e, no entanto posto
O brilho próprio da santa beleza.

Toques reais de imensa grandeza
Espalhas pelo ar o teu bom gosto
Seleto, sublime feito o mosto
Virgem e doce em sua realeza.

Eis, no entanto, minha cara Anne
A vida tem vida não é inane
Como querem disfarçar os infaustos;

Porém, vês! Tudo que é belo vive
Até brota das cinzas inclusive
Aqueles que se deram por exaustos.



João Pessoa - PB, 02 de abril de 2017.



Mário Bento de Morais





domingo, 29 de janeiro de 2017

TURISMO "SUS - TENTÁVEL"

Felizmente na Paraíba, aos poucos, vão surgindo idéias importantes que trazem luzes ao obscuro futuro do nosso planeta.  Esses juízos próprios do novo tempo estimulam substancialmente as pessoas a cultivarem novos conceitos capazes de darem ânimos à produção de concepções determinantes para se conviver harmoniosamente com a natureza. A pauta desse moderno pensamento partiu da necessidade por excelência de economizar os raríssimos e preciosos recursos naturais, principalmente água e energia, suscitando daí, portanto, uma saudável racionalidade sobre esses limitadíssimos bens.

Há tempos longínquos vem o homem sugando, desmedidamente os recursos naturais da terra, apenas por obra e graça de sua inerente ignorância. Talvez pensasse esse senhor de si, que essas dádivas naturais durassem para sempre, eternamente. Porém, ledo não foi só o engano, desse patriarca intransigente, mas a dura e implacável realidade que se instalou em algumas regiões do Brasil consideradas prodigiosas em precipitação pluviais. A crise hídrica forçou a revisão de conceitos até então perseverantes, contínuos, que se sustentavam em teses frágeis de técnicos venais e soberbos. Agora, depois dos desabastecimentos em escala assustadora do precioso liquido enfrentados as duras penas por algumas cidades importantes do País, é que se descobriu que esses bens são finitos e, por isso, devem ser preservados ao extremo.

A Lei 9.433/1997, denominada “Lei das Águas” sentencia com elevado zelo em seu artigo 1º, I - “A água é um bem de domínio público”; II – “Água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico”. Com esse formidável raciocínio se abriram perspectivas inovadoras e criativas capazes de satisfazem as necessidades das presentes e futuras gerações, protegendo o ambiente e os recursos naturais, promovendo de modo seguro, o crescimento da atividade econômica de forma sustentável, nas zonas extremamente sensíveis (zonas onde se exploram o turismo).

De modo que as nossas riquezas naturais, preciosas e extremamente efêmeras precisam ser inadiavelmente salvaguardadas das atividades econômicas predatórias, que por sua natureza selvagem, tendem a causar danos ao nosso sistema ambiental, por falta ou deficiência de uma legislação proba e um planejamento eficiente. Porém, é necessário anular urgentemente as imperfeições a esse respeito e adoção de medidas efetivas devem ganhar espaços nessa prodiga empreitada, que é a busca do obvio: preservar para sobreviver. Todavia, robustas ações devem ser explicitadas e as medidas aplicadas com responsabilidade dentro de um rigoroso método de eficácia e de participação de instituições públicas, privadas e da sociedade organizada.

Certamente, assim, com o empenho de todos, haveremos de alcançar as nossas pretensões válidas e sóbrias baseadas no equilíbrio entre a natureza e o desenvolvimento do turismo de forma literalmente sustentável. De modo que o Turismo Sustentável precisa conciliar os desejos intensos dos turistas com os interesses múltiplos das regiões que os acolhem, cuidando e protegendo o meio ambiente, sem se esquecer de encorajar sempre o potencial da atividade considerando essencialmente, o meio no qual estar inserido.

Medrar o turismo de forma eminentemente sustentável significa na pratica desenvolver ações legitimas e ordenadas nessa ordem:

a) ser socialmente justas;

b) economicamente executáveis;

d) moralmente éticas.

c) ecologicamente corretas;

Considerando:

a) os recursos naturais raros e preciosos, principalmente a água e a energia;

b) promover o reuso da água;

c) implantar sistema que economize energia;

d) se possível fugir ao máximo da produção de dejetos.

Nesse raciocínio, devem-se considerar também, as atividades turísticas programadas, cuidando com esmero proteger o patrimônio natural, formado pelo ecossistema e biodiversidade, elevando o nível de preservação das espécies ameaçadas da fauna e da flora selvagem. De forma que os anos 90 trouxeram à baila uma expressão que revolucionou todos os conceitos até então formados sobre o meio ambiente e que de modo inteligente tornou possível despertar toda força do turismo dentro de uma visão conciliadora universal de que é necessário e urgente a conservação da vida sem destruir o meio em que se vive. No entanto, esse vocábulo, enfatizava também no seu interior, aspectos econômicos, sociais, culturais, ambientais e políticos, capaz de convergir sinergias para o seu entorno santificado de "sustentabilidade".

 

 

                                                                      

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O FILÓSOFO PLUTARCO JÁ DISTINGUIA O VERDADEIRO AMIGO DO BAJULADOR

Um amigo me mandou esta pérola!
livro “Da maneira de distinguir o bajulador do amigo”, escrito por Plutarco, um dos maiores filósofos do Império Romano, poderia ter sido redigido hoje, por sua atualidade e porque o tema é universal e ultrapassa todos os tempos e fronteiras. Escrito na Antiguidade, em torno do Ano 100 depois de Cristo, o texto filosófico vai fundo no conceito da bajulação que promove a ilusão de amizade. Bajulação é uma forma de agradar para subjugar, define Plutarco. E onde há poder e poderosos, sempre haverá um ou mais bajuladores, que representam, com sua astúcia dissimulada, enorme perigo para os que ficam cegos com os seus elogios e sua prática nefasta.
O bajulador ganha, assim, pouco a pouco, a estima e a admiração da vítima e se comporta socialmente como um camaleão, ora prestativo e adulador, ora guerreiro e grosseirão, ora efeminado e estrategista, com uma sedução sem limites! É mestre na arte de agradar e se instala no gabinete mágico das vaidades e dos prestígios. O bajulador é uma espécie de ocultista astuto, com o encanto irresistível e agressivo dos mágicos. A bajulação, portanto, é uma coirmã da arte do teatro. No fundo, o bajulador é um velhaco; servidor das vaidades, serviçal de cabeça fria e ator principal da comédia da sedução. O bajulador sempre tem em mente algum engano proveitoso, um truque, uma carta na manga, uma fraude inédita. A bajulação é de fato uma perversão.
Com tantas artimanhas, torna-se difícil distinguir o amigo do bajulador. A bajulação vai mais longe que a amizade, em matéria de pequenas amabilidades. O verdadeiro bajulador parece sempre divertido e expansivo, não se opõe a nada, jamais contradiz, explica Plutarco. O bajulador é um parasita que tem sempre um elogio no bolso, para agradar e exercer seu ofício com habilidade, rodando em volta de seus bajulados… É difícil identificar os mais talentosos bajuladores, porque ocultam sua verdadeira face e se dedicam a ostentar o zelo, a diligência e a prontidão em atender os poderosos, que se tornam suas presas fáceis. A artimanha do bajulador é derramar elogios, ao contrário dos amigos que dizem a verdade, se necessário for, mesmo que não agrade, mesmo que seja algo que não se queira ouvir.
Aqui em Saquarema (São Mamede) como em tantos lugares, há bajuladores onde menos se espera. Inclinados diante da riqueza e do poder, com sua devoção servil, o bajulador afasta os verdadeiros amigos e amigas de suas vítimas. Faz um cerco, para melhor exercer a sua dominação. Ridiculariza os que significam algum tipo de ameaça, para o seu domínio e seu raio de influência. Discriminam aqueles e aquelas que poderiam confrontar com o seu espaço, em palavras, atos ou idéias. Tentam esmagar seus adversários e impedem que suas vítimas vejam claramente o que se passa a sua volta, embriagadas com suas falsas promessas e miragens.
Uma piada sobre a bajulação é a do rei que vivia cercado de bajuladores e mandou fazer uma roupa nova. Quando o costureiro apresentou o novo figurino, o rei não gostou e mandou refazer a encomenda várias vezes, até que o costureiro, um bajulador, trouxe uma roupa que disse ao rei ser invisível. O rei vestiu e acreditou que estava lindamente trajado! Assim desfilou nu, diante da corte, aplaudido pelos bajuladores de plantão que teciam elogios à roupa que não existia, deixando o monarca num ridículo diante de seus súditos…
 Da verve de Dulce Tupy

sábado, 10 de dezembro de 2016

"CALAI-VOS, MISERÁVEIS"!

As injustiças sociais têm demandado esforços imensuráveis de profetas, filósofos, escritores, oradores, poetas e sábios: antigos, modernos, sagrados e profanos, considerando-as nas suas reflexões, como insana causadora da infelicidade da maioria do povo. A primogênita filha dessas injustiças, a ganância – desejo intenso de bens e riquezas tem levado nações e povos a aceitarem um tipo de escravidão disfarçada chamada de “oportunidade”, ou cartas marcadas.
De fato, a miséria do povo parece que nunca vai ter fim.  Vejamos, estamos agora no século oitavo Antes de Cristo, ai por volta do ano 760, um homem do campo, chamado de Amós, seduzido por Deus abandona sua vida tranquilo no reino do Sul e vai para o reino do Norte denunciar as injustiças sociais cometidas por esse reino. Não satisfeito ainda com as acusações especificas relacionadas às duras penas da sociedade na qual se inseriu Amós também dar nomes aos causadores dessas injustiças: a elite dominante. Assim denunciava o Profeta Amós: 2, 6-7: Porque vendem o justo por dinheiro e o necessitado pelo par de  sandálias; pisoteiam os fracos no chão e desviam o caminho dos pobres! No capitulo 5, 7-10: Amós atinge a espinha dorsal do sistema: Ai dos que transformam o direito em veneno e atiram a justiça por terra. Eles odeiam os que defendem o justo no tribunal e têm horror de quem fala a verdade.
A doutrina política e econômica que conhecemos como socialismo, afirmam alguns, que surgira no final do século XVIII, com o intuito de transformar a sociedade a partir de uma profunda reforma social considerando a distribuição por igual das riquezas e das propriedades. François Noël Babeuf, jornalista Frances, sugeriu na época um paradigma que posteriormente serviu aos movimentos de esquerda que o adotaram como opção política, porém, sem lastro teológico e utópico.
Babeuf nutriu-se das leituras de Rousseau, Mably e Diderot para elaborar suas próprias ideias, as quais tratavam de igualdade e coletivização das terras. Foi, portanto, cuidando da situação de miséria da grande maioria da população do seu País e do seu próprio processo psicológico consciente real – vivência – que ponderou para os primeiros passos do socialismo. No “Manifesto dos Iguais” escreveu Babeuf (1796): “Desde a própria existência da sociedade civil, o atributo mais belo do homem vem sendo reconhecido sem oposição, mas nem uma só vez pôde ver-se convertida em realidade: a igualdade nunca foi mais do que uma bela e estéril ficção da lei. E hoje, quando essa igualdade é exigida numa voz mais forte do que nunca, a resposta é esta: "Calai-vos, miseráveis"! A igualdade não é realmente mais do que uma quimera; contentai-vos com a igualdade relativa: todos vós sois iguais em face da lei. Que quereis mais, miseráveis? Que mais queremos? “Legisladores, governantes, proprietários ricos; é agora a vossa vez de nos escutardes”.
Lendo “O príncipe” de Maquiavel, agucei a minha atenção no capitulo IX, o qual trata “Do Principado Civil”, donde voa aos nossos olhos a seguinte pérola: “o povo não quer ser governado nem oprimido pelos grandes, porém estes desejam governar e oprimir o povo”. A sentença faz com que voltemos os nossos sentidos à promessa da natureza – igualdade, necessidade essencial a existência do homem. De modo que se não formos solidários uns com os outros dificilmente sobreviveremos à hostilidade da terra. Gentilmente pela natureza fomos dotados de gestos sublimes à moral e a legitimidade da igualdade, porém, recebemos também, com especial liberalidade em exponencial profusão os fluidos da ganância. De modo, que é preciso estabelecer equilíbrio sem que necessário seja opor força a força

Fonte: O livro de Amós – Bíblia Sagrada.

sábado, 5 de novembro de 2016

O XOTE DE SANTA LUZIA

Quarenta e quatro anos de atraso,
Descaso, truculência e perseguição,
Abuso de poder, fraude política,
Cala boca da justiça, corrupção.

Santa Luzia sofreu demais
Perdeu a identidade da educação,
Não tem mais categoria no seu forró,
O povo esqueceu toda tradição,
Na praça Alcindo leite já não tem retreta
No yayu clube não tem mais São João.

Ai, ai, ai não tem mais São João
Ai, ai, ai não tem mais São João,
A trupe da mutreta acabou com tudo
Passado e presente sacudiu chão,
O nosso futuro está comprometido
É mais do que doida essa humilhação.

Ai, ai, ai essa humilhação,
Ai, ai, ai essa humilhação,
Agora só nos resta pagar o pato
Pelos vícios cometidos de “boa” intenção,
Pelas mentiras a troco do nada
Pelas falsas promessas e enganação.

Ai, ai, ai só enganação,
Ai, ai, ai só enganação.





sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O FILHO DE SEVERINA E ABEL COELHO

Soneto dedicado 
Ao nobre broto do Sabugy
Newton Marinho Coelho 


Vergôntea da estirpe sertaneja
De linhagem pura sabugyana,
Rebento da flora Paraibana
Cuja integridade o Brasil deseja.

Do velho madeiro herdou a peleja
Já tradição na antiga umburana
Cuidados que Anireves soberana
Legou o esplendor que no sertão dardeja.

Medrou endiabrado dentre os traquinas
Meninos gentis fiéis as doutrinas
Das ruas lindas da feliz aldeia.

Distinto gozador na juventude,
Mas sensato no rumo à retitude 
Da vida fausta que se lhe ondeia.                                                                                  





quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O GENERO

SONETO DEDICADO
À JOVEM  VAULENE.



Airosos gestos ofertas quando,
Torna-te ao mundo adolescente!
Riso fácil, sentimento ardente,
A Juventude na mulher aquando.

Disfarça-se sutilmente alquando
Submissa, conduz-se forte, ciente
Da superioridade imanente,
 Ao meio, Versátil vai se adequando.

D’alma fértil e sensível ao sonho,
É possível ser, mesmo que tardonho,
Eis a verdade agora tangível:

Na força do gênero que ascende
De extremo a extremo se estende
O que é natural e cognoscível.